Pode não ter sido a intenção, mas o fato dos governadores do Nordeste declararem apoio à presidente Dilma Rousseff em audiência marcada para apresentar reivindicações conjuntas da região,ficou parecendo uma troca, incompatível com o estilo republicano tão apregoado.
As manifestações revelaram e pesquisas comprovaram o momento difícil da Presidente, que é desaprovada por mais de 77% da população. Sua base no Congresso já não funciona e as derrotas se repetem. Os números não mostram reação positiva na economia. No meio de tantas notícias ruins, os governadores do Nordeste foram um lenitivo.
Ficou claro ao final do encontro que a presidente Dilma ganhou algo, mas na entrevista coletiva os governadores não falaram sobre os compromissos assumidos por ela com a pauta regional. O foco foi todo para o “amplo entendimento nacional e a preservação do estado democrático de direito”.
A pauta administrativa, que sumiu no debate político, tem cinco pontos: acesso a financiamentos internos e externos; continuidade das obras do PAC, do Minha Casa Minha Vida, da Petrobrás e de recursos hídricos; novas fontes de financiamento da Saúde, ou seja, criação de impostos novos; investimentos na Segurança Pública e ações emergenciais de convivência com a seca. Dependem do ajuste fiscal, do desempenho da economia, e do Congresso.
Não é que os governadores não possam discutir e influir nesse momento nacional. Muito pelo contrário. Devem. Alguns têm peso junto as suas bancadas para amealhar votos preciosos para as propostas presidenciais.Contudo, pela fama de que a região está sempre de pires na mão, deveriam ter separado os dois momentos. Ao invés de subserviência, o primeiro pensamento seria de afirmação de uma região cujo peso político pode fazer a diferença no Brasil.
O Nordeste tem 38,3 milhões de eleitores (26,77% do total do Brasil). Só perde nesse quesito para o Sudeste, que tem 62,2 milhões (43,45% do total). Sul e Centro-Oeste, juntos, não valem eleitoralmente a nossa região, mas no que diz respeito a riquezas, estamos longe deles. Nossa região participa com apenas 13,4% do PIB nacional. Fortalecer a economia regional é importante. Sepultar aprática do “é dando que se recebe”, também.