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Armadilha da impunidade

A overdose de segredos revelados pelos delatores da Lava Jato ainda está sendo assimilada pelos brasileiros. As verdades estão não apenas destruindo mitos da política, mas a fé nas instituições. E isso em meio a uma gravíssima crise econômica que continua ampliando o desemprego e obrigando a revisão de direitos conquistados.

É assustador o comportamento da quase unanimidade dos que receberam a confiança do voto. Ao invés de se comprometerem com uma mudança radical na política, mostram mais disposição para punir os que ousaram investigar e revelar suas práticas condenáveis.

Licitações viciadas, obras superfaturadas para garantir propina a partidos e políticos, leis feitas por encomenda para beneficiar grupos, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraude, venda de informações sigilosas, formação de quadrilha…

Os crimes são tantos, que os “sem defesa” decidiram apressar a aprovação de uma lei de “abuso de autoridade”, que na verdade é de “proteção a corrupção”.

As delações da Odebrecht, especialmente os vídeos de Emílio e Marcelo Odebrecht, são devastadores, e os relatos do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, colocaram por terra toda a defesa do ex-presidente Lula, a “alma mais honesta” do Brasil.

Quarta-feira, na CCJ do Senado, presidida por Edison Lobão – que é investigado na Lava Jato assim como outros oito integrantes da comissão – será votado o substitutivo de Roberto Requião ao projeto de Renan Calheiros que permite aos réus processarem promotores e juízes.

O procurador Deltan Dallagnol, da Lava Jato, trata da proposta no livro “A luta contra a corrupção”, que vai lançar no próximo dia 26. Ele afirma: “Se promotores e juízes tiverem de suplicar para não serem punidos quando enfrentarem criminosos de colarinho branco, as instituições terão sido colocadas de joelho”.

Três senadores – Cristovam Buarque, Randolfe Rodrigues e José Reguffe – iniciaram uma campanha na internet contra a proposta de Renan Calheiros e Roberto Requião. Procuradores também estão convocando a sociedade a se pronunciar contra a armadilha.

Ao invés do fim do foro privilegiado, querem impor o “abuso de autoridade”. Desafiam os brasileiros.

TORPEDO

Ronaldo Cunha Lima não discursava, lecionava: mesmo os seus relatos mais modernos eram verdadeiras aulas sobre os acontecimentos e os desafios da Paraíba, do Nordeste e do Brasil.

De Eunício Oliveira, sobre a coleção “Senadores da República – Discursos Memoráveis”, cujo 1° volume, com o poeta, será lançado terça-feira.

Conexão

Assim como o prefeito Luciano Cartaxo, o presidente do PSD, deputado Rômulo Gouveia descarta aliança em 2018 com o PSB de Ricardo Coutinho. Sustenta que não há afinidade nas ideias e propostas dos partidos.

Coerência

Rômulo vê mais compatibilidade com os partidos que se uniram na campanha de 2016 em João Pessoa. Cita PSDB, PMDB, PP, PRB e PSC e que Luciano Cartaxo é uma aposta do partido para as próximas eleições.

Julgamento

A Aije da PBPrev, que pede a cassação do governador Ricardo Coutinho, volta a pauta do TRE amanhã, com o voto-vista da juíza Michelini Jatobá. O julgamento foi suspenso no dia 17 quando o placar estava em 1×1.

A causa

A ação foi impetrada pela coligação “A vontade do povo”, que teve Cássio Cunha Lima como candidato a governador. Acusa Ricardo Coutinho de uso político da PBPrev e o MPE defende sua cassação.

ZIGUE-ZAGUE

Os marqueteiros João Santana e Mônica Moura vão depor nesta segunda-feira ao ministro Herman Benjamin, relator da ação contra a chapa Dilma e Temer no TSE.

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, eles admitiram que receberam via Caixa 2 e que o ex-ministro Antonio Polocci foi o intermediário dos contatos com a Odebrecht.

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