Marias de Nossa Senhora
Procissão em João Pessoa marcou dia da padroeira do Brasil (Fotos: Beto Pessoa/Jornal CORREIO)

As Marias de Nossa Senhora Aparecida relatam fé na Santa

Sertaneja de Coremas, a aposentada disse que se apega à imagem da padroeira do Brasil porque dela retira forças

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“Quando a gente olha para ela, se sente mais forte e mais segura”, disse Francisca Ferreira de Sousa, 74 anos, uma das 2 mil ‘Marias’ a caminhar na Romaria de Nossa Senhora Aparecida, que saiu pelas ruas do bairro do Valentina, em João Pessoa, às 16h dessa sexta-feira (12). Em passos lentos, cânticos e louvores se misturavam com agradecimentos e preces. Fiéis de todas as partes da cidade, com desejos e dores distintas, mas em busca de um futuro comum: mais paz e proteção para todos. São as Marias de Nossa Senhora.

“Nossa Senhora Aparecida é a mãe do Brasil, que protege todos. Nos cobre de bênçãos e nos livra das derrotas. Uns meses atrás, na Rua do Jarro, aqui no Valentina, encontrei um moço amarrado e ensanguentado no chão, sendo linchado pela população. O povo dizia: ‘Morra, infeliz!’. Eu gritei: ‘Parem! Vocês não têm direito de fazer isso, porque nem Jesus condenou’. Eu sabia que naquele momento Nossa Senhora estava comigo, me dando forças para dizer aquilo”, recorda dona Francisca, segurando seu terço entre as mãos.

Sertaneja de Coremas, a aposentada disse que se apega à imagem da padroeira do Brasil porque dela retira forças para lidar com um mundo que se mostra cada vez mais conflituoso e sem harmonia. “Eu chorei de tristeza, mas pedi que eles não apontassem o dedo para ninguém, que Jesus morreu entre dois ladrões e um deles foi salvo. Eu enfrentei porque Nossa Senhora estava comigo, me deu forças e me deixou sem medo. Eu estava dizendo a verdade e a verdade tem poder. Jesus não julgou ninguém. Tratou todo mundo por igual. Sempre digo nas comunidades: “Vamos dar as mãos que toda essa guerra vai acabar”, disse dona Francisca.

“Vamos dar as mãos que toda essa guerra vai acabar”, disse dona Francisca (Foto: Beto Pessoa/Jornal CORREIO)

A história de Aparecida no Brasil

Nossa Senhora da Conceição Aparecida, popularmente chamada de Nossa Senhora Aparecida, segundo a crença católica, foi encontrada no Rio Paraíba do Sul, em São Paulo. Num período em que o país vivia em regime escravocrata, uma santa de pele negra surge em águas correntes, retirada pelas mãos de pescadores. O Santo se mistura ao povo, que daquela imagem apreende sentimentos que alimentam uma vida de novos possíveis.

Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, do bairro do Valentina, o padre André Percival Melo Moura explica que a imagem física da santa está envolta por sentimentos e sensações que movem os católicos.

“Há 300 anos, o povo brasileiro elegeu naturalmente Nossa Senhora Aparecida como padroeira do país. Para nós, católicos, celebrar a mãe de Deus é celebrar a bondade. Diante de uma época de cenário político tão conflituoso, Nossa Senhora é um ponto de discernimento, prudência, de fazermos boas escolhas. O momento é de celebrar a bondade. De lembrar que Nossa Senhora é boa porque carrega a bondade de Deus. E Deus é bom o tempo todo”, disse.

A fé em Nossa Senhora

Aposentada, a sertaneja Maria de Lourdes, de 75 anos, participa da Romaria de Nossa Senhora Aparecida há mais de 15 anos, seja no Valentina ou em outros pontos da cidade. Ela acredita que a bondade precisa estar presente no dia a dia das pessoas, mas o no aniversário da Santa é preciso levar esta mensagem para as ruas.

“Ela representa amor, bondade, proteção e misericórdia. A gente vive num mundo cheio de brigas, de confusão, está faltando o amor de Deus, que nos ensinou que a coisa mais importante é amar. Isso que está desequilibrando as pessoas, deixando todo mundo triste. A gente está aqui para pregar a vivência cristã. Minha mãe me deu nome de Maria de Lourdes, em homenagem à Santa, e graças a Deus estou sempre rogando por Nossa Senhora, pedindo que ela nos ajude a ter mais amor um pelo o outro”, disse.

Durante todo dia de ontem, as quatro Paróquias de Nossa Senhora Aparecida da cidade de João Pessoa realizaram atividades, que foram desde missas e procissões, até apresentações musicais. O Arcebispo Metropolitano da Paraíba, Dom Delson, celebrou Missa na Paróquia do Valentina de Figueiredo.

*Beto Pessoa, do Jornal CORREIO

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