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Atraso na entrega de laudo paralisa caso de torcedor morto

Trinta e dois dias e nenhuma resposta. Assim segue o caso de Eduardo Feliciano Justino da Silva, torcedor do Botafogo-PB morto no dia 10 de agosto em Ceará-Mirim durante o jogo entre Globo-RN e Botafogo-PB, pela Série C do Campeonato Brasileiro. O caso segue pendente por falta de entrega do laudo cadavérico à delegada responsável pela investigação, Karen Lopes.

Eduardo, que era membro da Torcida Organizada Fúria Independente do Botafogo-PB, teria sido espancado por policiais militares que faziam a segurança da partida durante uma invasão promovida por torcedores do time pessoense ao estádio Barretão.

Ao Portal Correio, Karen Lopes contou que já ouviu todos os policiais e pessoas que trabalharam no estádio no dia do jogo, mas que não obteve resposta das cartas precatórias entregues a testemunhas do caso que residem na Paraíba. As cartas solicitam o depoimento dessas pessoas sobre a investigação.

Porém, segundo a delegada, o que mais tem impossibilitado o andamento da investigação é a não entrega do laudo cadavérico de Eduardo por parte do Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep).

“Não recebi o laudo do Itep, que é o que vai me dizer oficialmente a causa de morte. Me disseram que o laudo está pendente de liberação para que o perito forneça algumas considerações. Infelizmente são diligências que não dependem de mim [para o andamento do inquérito]”, afirmou a delegada.

A demora na entrega do laudo causa estranheza, já que dois dias após a morte de Eduardo o diretor geral do Itep, Marcos Brandão, afirmou ao Portal Correio que o laudo já havia apontado a causa de morte do paraibano, o que mostrava que o documento estava praticamente finalizado e reforçava a suspeita de espancamento por parte dos policiais.

“Foram identificadas várias lesões no corpo do Eduardo, mas a que foi determinante para a morte dele foi o rompimento do músculo cardíaco e a hemorragia em consequência disso. Os exames toxicológicos solicitados não influenciam em nada para determinar à morte. O que o matou foi o rompimento desse músculo que ocorreu a partir de uma pancada com instrumento contundente. Pode ter sido uma queda do muro em cima de uma pedra ou também espancamento. Qual instrumento foi esse que causou a lesão, é a investigação que irá responder”, afirmou Marcos à época.

O Portal Correio tentou contato por meio de ligação telefônica e via WhatsApp com Marcos Brandão para questioná-lo sobre o laudo, mas as ligações não foram atendidas e não obteve resposta por meio do aplicativo de mensagens.

Policiais negam espancamento

Em depoimento, os policiais negaram ter entrado em confronto com torcedores organizados do Belo durante o tumulto que resultou na morte de Eduardo Feliciano.

Nenhum dos policiais ouvidos confessou ter praticado agressões contra torcedores e contaram que apenas fizeram um cordão de isolamento para evitar a invasão ao estádio.

“Nenhum dos policiais assumiu ter praticado agressões contra o torcedor morto ou qualquer outro. Em resumo, eles disseram que foram alertados da invasão e apenas se deslocaram ao local, fazendo um cordão de isolamento no muro e que isso foi suficiente para dispersar os torcedores sem nenhum confronto físico ou com uso de armas”, disse a delegada.

O relato dos policiais, porém, contrasta com depoimentos de torcedores que estavam presentes no local no momento da ação. Os relatos foram de uso de cassetetes, spray de pimenta, tiros de bala de borracha e bomba de efeito moral.

Um amigo de Eduardo, que estava no local no momento das agressões, relatou como tudo ocorreu em entrevista à TV Correio.

“A gente estava na frente do estádio e começou a confusão porque os policiais tentaram abordar crianças, jovens e mulheres. Nos recusamos a sofrer a abordagem e começou a pancadaria. Foi quando meu amigo foi covardemente espancado. Ele recebeu uma pancada no peito muito forte e parou de respirar. Abracei ele e até tomei tiro na perna, mas nada foi válido”, relatou Iuri Targino

A ação dos policiais com os cassetetes, inclusive, foi gravada por meio de celular e pode ser vista no fim do vídeo abaixo.

O caso

Conforme torcedores que estavam no local da partida, por volta das 18h20, 55 minutos antes do início do jogo no estádio Barretão, membros da Fúria e da Torcida Jovem do Botafogo-PB que estavam do lado de fora do estádio pularam o muro para invadir o local e não pagar ingresso.

Alertados da invasão, policiais militares reagiram com tiros de borracha e golpes de cassetete contra torcedores que ainda tentavam invadir o local. Foi durante essa reação que Eduardo Feliciano teria sido espancado pelos policiais e ficado desacordado.

Socorrido por uma ambulância do Samu, Eduardo chegou a dar entrada no Hospital Municipal Doutor Percílio Alves, em Ceará-Mirim, mas não resistiu e morreu horas após os ferimentos.

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