Li, com profunda tristeza, relação publicada pela Cagepa – a que servi como diretor-administrativo – incluindo cinco açudes no Estado que estão sob a ameaça de colapso e racionamento: Puxinanã, Cuité, Montadas, Nova Floresta e Nova Palmeira.
Os dois primeiros, o da Lagoa da Milhã e dos Cais, foram construídos com recursos da União, graças a emendas de minha responsabilidade, e os três últimos o foram por iniciativa do Estado, a meu pedido.
Onde o luto? Se as águas do São Francisco já estivessem conosco, esse colapso não aconteceria. Já se vão dez anos de vã expectativa enquanto o Governo Federal faz ouvido de mercador, e só se lembra da solução para as secas do Nordeste às vésperas das eleições.
Com certeza essa omissão criminosa é fruto, também, do sistema da reeleição adotado no País, quando os titulares dos cargos públicos deixam as obras inconclusas a fim de forçar compromisso de voto visando novo mandato, supondo manter as esperanças acesas. É o que vem ocorrendo: as águas do São Francisco têm sido remédio para não curar. Apenas mantêm as ilusões sem curar a doença.
Essa realidade da lista negra da Cagepa é que nos entristece. Poderíamos ter, de há muito, exterminado essas nossas carências com as águas do São Francisco. Só têm servido para tema de campanhas eleitorais.
O luto, porém, é dobrado quando vejo Puxinanã na lista negra: além daameaça de faltarem as águas do Açude Lagoa da Milhã, que servem àquela cidade, através da Cagepa, sofre, de há muito, com a poluição do lixão à sua montante, graças à ingratidão da Prefeitura de Campina Grande que, desde a administração anterior, vem depositando, ali, o lixo naquela cidade, num atentado à saúde dos seus habitantes, que não merecem tamanho castigo.
Como seria educativo se os eleitores dessas cidades usassem uma fita preta em demonstração de luto pela falta d´àgua em suas casas…