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Avicultores multiplicam renda com apoio de cooperativa

“Mudou tudo. Hoje sou dona do meu próprio negócio. Graças a cooperativa eu posso ter coisas que eu não tinha antes"

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“Mudou tudo. Hoje sou dona do meu próprio negócio. Graças a cooperativa eu posso ter coisas que eu não tinha antes. Hoje trabalho pra mim”. O exemplo de dona Zeza, de 55 anos, se multiplica como a folhagem seca de sua cidade, São Sebastião de Lagoa de Roça, no Agreste paraibano. Na força da agricultura familiar, através da avicultura, famílias têm suas realidades transformadas com apoio de cooperativa.

Vender algum produto em uma região em que a maioria da população é de baixa renda, já não é tarefa fácil, mas avalie tentar cumprir essa missão e ainda precisar se preocupar com a os cuidados com a produção. Foi pensando nessa dificuldade, que a Cooperativa de Agricultura Familiar (Copaf) nasceu, com o objetivo de comercializar os produtos dos cooperados para que todas sua atenção fique voltada à produtividade. “Inicialmente éramos uma associação, então como associação vendíamos nas feiras, mas logo o pessoal começou a incrementar a venda. Levávamos 10 frangos e vendíamos metade, então tinha essa dificuldade”, garantiu um dos fundadores da cooperativa, Ednaldo Sobreira.

Mas se engana quem pensa que o apoio é apenas na comercialização. O exemplo de dona Zeza mostra que a cooperativa faz muito mais do que vender. “No ano de 2008, através de um programa do governo federal, fizeram um chiqueiro pra mim e eu recebi 50 pintos para criar. Só que eu não sabia como criar. Num instante morreram 14 e fiquei só com 36. Então me convidaram para a cooperativa. Fui a três reuniões, recebi apoio técnico, fiz cursos, fui orientada sobre como cuidar do meu dinheiro e hoje os meus 36 pintos se transformaram em 1.200 frangos”, relata.

Quem ingere frango caipira, ingere saúde

Ednaldo define bem o trabalho da cooperativa: “Criar galinha todo mundo cria, mas criar com o melhor rendimento econômico, só a cooperativa ensina”.

E parece mesmo que a sistemática da agricultura familiar é benéfica para todos os lados. O governo tem a possibilidade de investir em pessoas que precisam e ainda movimentar a economia; os agricultores conseguem melhorar sua renda; e quem compra, tem acesso a produtos muito mais saudáveis.

E falando em saúde… “Foi se propagando também a saudabilidade, ou seja, a vida saudável de quem come frango caipira, porque o frango caipira não pode conter antibiótico, promotor de crescimento, ou alimentação de origem animal. Fazendo testes, constatou-se que o nível de contaminantes é zero e o industrial chega a 6 ou 7%. Por isso, o primeiro interesse foi do pessoal que faz tratamento de câncer nos hospitais, como o Hospital Napoleão Laureano, o FAP e o São Vicente de Paula”, explica Ednaldo.

Na prática

Na prática, os mais de 250 cooperados de 25 municípios produzem frangos, ovos, verduras e queijos em uma quantidade pré-estabelecida pela Copaf. A cooperativa pega os produtos, faz a comercialização com mais de 300 clientes em toda a Paraíba, entre hospitais, supermercados e escolas, e os cooperados recebem o pagamento. Benefício para todos os lados.

Mudança real

“Eu era empregada doméstica em Campina Grande. Ganhava menos de R$ 800, com duas filhas pra criar, não tinha a menor condição. Hoje sou dona do meu próprio negócio. Minha casa ainda não tá do jeito que a gente quer, mas mudou tudo, melhorou muito. Hoje eu não trabalho pra ninguém, hoje eu trabalho pra mim. Não tinha cozinha, não tinha televisão, tudo isso foi através da cooperativa, através da minhas vendas”, garante dona Zeza.

“Comecei com 200 frangos, hoje meu galpão tem capacidade pra 1.000. Antes eu só tinha capacidade de produzir 200 mesmo, porque tinha que vender na feira ou na casa das pessoas. Hoje eu trabalho só pra cooperativa”, relata José Sabino, cooperado.

“É meu”

Quando perguntado de quem era o abatedouro construído pela cooperativa, José Sabino, ou seu Zezinho, foi categórico. “É meu”. E é esse sentimento que brota de cada pessoa que teve sua vida transformada pelo apoio da cooperativa.

O percentual que é retirado das vendas dos produtos e direcionado à instituição não é o que faz com que os cooperados se sintam donos da Copaf. Porém, a parceria, apoio e a transformação prática e palpável é o que faz os cooperados tomarem posse da cooperativa, como também, promoverem o zelo por aqueles que os fizeram enxergar um novo mundo através do investimento e incentivo ao povo do campo. É na terra que reside a esperança. É na cooperação que a mudança acontece.

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