‘Black Friday’ come?a na v?spera em JP e deixa Epit?cio congestionada

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Uma ação de vendas anual, criada nos Estados Unidos e que ocorre na última sexta-feira de novembro, após o feriado de Ação de Graças, virou febre entre os consumidores brasileiros. Só que com a crise econômica e as incertezas do cenário para os próximos meses, nem mesmo os empresários acreditam em um grande volume de negócios este ano. Na Paraíba, eles apostam tudo no marketing para atrair clientes, mas segundo as previsões do Fecomércio, um aumento de vendas em torno de 4% a 6% em relação ao ano passado já seria “extraordinário”. Apesar da baixa expectativa, a “sexta-feira negra” começou aquecida desde a véspera (26), quando filas de veículos puderam ser vistas em frente a um dos estabelecimentos participantes das promoções (veja foto ao lado).

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A Câmara dos Diretores Lojistas de João Pessoa comunga com a mesma projeção. Eronaldo Maia, presidente da CDL, observa que o comércio tem que oferecer descontos reais e atratativos, para puder conquistar vendas. “Estamos às vésperas das compras de Natal. O consumidor só vai comprar se tiver descontos reais. Não adianta aumentar preços e depois anunciar descontos fantasmas”, avisa.

O consultor financeiro Rodrigo Leone, da TV Correio e a RCTV, alerta para as ‘pegadinhas’ nesse tipo de promoção. “Não adianta ganhar no Black Friday e levar de brinde um Natal no vermelho”, alerta. Ele também chama a atenção dos “descontos fantasmas”. O Procon de João Pessoa vem alertando os consumidores com algumas dicas específicas para esta sexta-feira.

Para o Fecomércio, promoções como a Black Friday são bem vindas em momentos de crise. “Tudo aquilo que é feito para aquecer comércio e movimentar a economia é bom para o Estado e para o país. Nossa expectativa é de bom negócios, mas conscientes de que pode haver uma retração do consumo por causa da crise”, afirma Marconi Medeiros, presidente da entidade. Marconi observa que são mercadorias que já estão no estoque e têm que sair para a entrada das que serão vendidas na coleção 2016.

A CDL e o Fecomércio não acredita em grandes filas nas portas das lojas por conta da Black Friday, mas observam que os gandes magazines e as redes de supermercados serão as exceções. Uma dessas redes de supermercados abriu sua loja na Avenida Epitácio Pessoa (em João Pessoa), às 22h desta quinta-feira, já com as promoções, provocando um intenso congestionamento de veículos no sentido praia-Centro da via. 

As lojas físicas concorrem diretamente com as online, que já oferecem promoções de diversos produtos durante o dia. Alguns sites já anunciam suas promoções desde o início da semana. 

A Black Friday 2015 é considerado como o maior evento do e-commerce brasileiro, que  deve ter um aumento de 42% nas vendas em relação ao ano anterior. O evento que movimentou R$ 1,3 bilhão na edição de 2014 deve atingir um faturamento de R$ 1,85 bilhão neste ano, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Conversion, que aponta ainda que os consumidores que mais esperam aproveitar o evento têm entre 45 e 54 anos de idade.
 
Os dados do estudo revelam ainda que 95% das pessoas entre 45 e 54 anos comprarão na Black Friday. Além disso, 86% com 55 anos ou mais aproveitarão a campanha para fazer suas compras, seguidos pelos jovens de 18 a 24 anos (85%).
 
A pesquisa também aponta que o público consumidor do evento é predominantemente feminino (55%) e que 94% das pessoas que participaram da última edição comprarão novamente neste ano. Além disso, a classe C é a que mais consumirá, com 88% de participação, seguida da classe D (84%) e E (80%).

O comerciante Claúdio Silva, 52 anos, foi um dos que comprou no ano passado e voltará às compras este ano. Em 2014 conseguiu um desconto de quase 65% em passagens áereas para Europa. Este ano, por conta da crise e com receios de sua esposa em relação aos atentados terroristas naquele continente, Cláudio espera conseguir descontos em bilhetes para viagem pelo Brasil ou por outros países da América Latina. Ele revela que já vem recebendo há algumas semanas emails de empresas áereas, oferecendo passagens mais baratas. 

Enquanto 80% dos entrevistados afirmaram que aproveitarão os descontos para adquirir itens para consumo próprio, 47% das pessoas comprarão produtos para presentear amigos e familiares.
 
Os eletrodomésticos lideram a lista de itens mais procurados (36%), seguidos, em pesquisa aberta para escolha de categorias, por produtos eletrônicos (31%), de informática (28%) e telefonia e celulares (26%). Para procurar os artigos, 40% das pessoas irão em suas lojas virtuais preferidas e 37% pesquisarão as melhores ofertas em mecanismos de busca. “A Black Friday e o comércio eletrônico estão cada vez mais consolidados no Brasil”, analisa Diego Ivo, CEO da Conversion.e-commerce”, conclui Ivo.

O consumidor tem algumas opções para fazer o seu direito online. O site Reclame Aqui traz um ranking das empresas mais reclamadas por práticas abusivas no e-commerce.

Outras opções para o consumidor que se sentir lesado é procurar diretamente o Procon estadual ou o Procon de João Pessoa.

Uma pesquisa do MercadoPago – maior facilitador de pagamentos pela internet de origem latino-americana -, realizada com 1.164 internautas brasileiros, aponta que a maioria (68,1%) se mostrou intencionada a gastar mais de R$ 500 na Black Friday, sendo 28,5% de R$ 500 a R$ 1 mil; 22,9% de R$ 1 mil a R$ 2 mil, e 16,7% acima de R$ 2 mil. Apenas 3,5% vão gastar até R$ 100; 12,1% de R$ 100 a R$ 300 e 16,2% de R$ 300 a R$ 500.

“O ticket médio alto demonstra o aumento da confiança do consumidor nas ofertas reservadas para essa data”, destaca Celina Ma, head de Marketing de MercadoPago no Brasil.

Apesar de 60% dos respondentes informarem que não compraram nas edições anteriores da Black Friday, 98% afirmaram que pretendem aproveitar a data neste ano, no dia 27 de novembro.

A maioria dos pagamentos deste ano será parcelado sem juros no cartão de crédito. Esta foi a escolha citada por 65,8% dos entrevistados. Em seguida, aparecem os pagamentos à vista no boleto (36,4%) e à vista no cartão de crédito (24,3%). O microempresário pessoense Antônio Dutra, 53 anos, se encaixa nesse perfil. Ele quer parcelar suas compras, mas pretende adquirir apenas um tablet. A compra, segundo Antônio, será feita preferencialmente em uma loja física.

Antônio, que tem uma lan house, admite que procura uma loja física por sentir mais seguro na negociação. “Além disso, só vou comprar se tiver mesmo promoção. Na loja eu consigo o mesmo preço e não pago frete”, disse. 

O consultor Rodrigo Leone diz que é importante que o consumidor não ultrapasse o seu orçamento e só compre mesmo o que precisa. Ele orienta que o consumidor já saia de casa uma lista do que precisa mesmo comprar, observando as parcelas que comprometem os meses seguintes da receita doméstica.


 
Os produtos mais desejados são celulares ou smartphones (38%), eletrodomésticos (22%), itens de informática e aparelhos de TV e vídeo (empatados em 21%). A dona de casa Maria de Lourdes Sobrinho, 32 anos, saiu na frente. Comprou em uma loja física de um grande magazine, no Centro de João Pessoa, um smartphone por R$ 128,00. Ficou satisfeita com a aquisição. “Estava precisando e comprei. Vou me controlar para não gastar mais”, garantiu.

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