O foco do mundo empresarial é a competitividade. E existem vários caminhos para atingi-lo.
Duas grandes estradas, porém, se destacam: tecnologia (que reduz custos e agiliza a produtividade) ou o chão de fábrica e sua mão de obra barata (cujo modelo a China usa à exaustão).
Artigo recente do The Wall Street Journal assinado pelos articulistas da sucursal da China Kathy Chu e Bob Davis, porém, traz análise que – concretizada – acende em definitivo o sinal amarelo na luta entre estas duas tendências.
Alegoricamente falando, trata-se de uma queda de braços – o tecnológico braço americano versus o manual (e barato) braço chinês.
Não é preciso chegar a 2050 para saber quem vai ganhar esta contenda.
A China dá sinais claros, aqui e agora, de que a fonte está secando. O custo da mão de obra por trabalhador hora, que em 2002 era de míseros US$ 0,60 cents, pulou para US$ 14,60 – próximo dos US$ 22,00 pagos na América do Norte.
Também não é preciso viajar no tempo para saber que a escassez de mão de obra inaugurará um novo e transformador capítulo na história da globalização – alterando drasticamente as vidas de trabalhadores e consumidores ao redor do planeta.
A automação dominará este novo mundo.
E é por isso que, temendo o êxodo de fabricantes, que há décadas usam a mão de obra chinesa, o presidente Xi Jinping conclamou uma revolução de robôs.
A China, aliás, já tomou a dianteira neste processo, assumindo o posto de maior mercado de automação do mundo.
Processo, aliás, que já está em curso. Os articulistas do The Wall Street pinçam, de uma fábrica de roupas em Zhongshan, nos arredores de Hong Kong, a ilustração do fenômeno: lá, lasers substituem dezenas de trabalhadores que antes esfregavam com lixas os famosos jeans Levi’s para produzir o efeito envelhecido que os ocidentais tanto gostam.
Os fabricantes chegaram a conclusão óbvia: a mão de obra está ficando mais cara e a tecnologia mais barata – bem mais barata do que os custos com logística, marketing e impostos.
Então, se preparem: ao virar a próxima esquina da revolução industrial, encontraremos fábricas menores, mais dispersas e próximas dos clientes.
Daqui do Brasil, só nos resta perguntar: quando esse futuro chegar, com robôs produzindo mais rápido e mais barato e impressoras “cuspindo” dentro do ambiente doméstico alimentos, roupas e medicamentos, onde estarão as indústrias brasileiras?
Hoje o cenário é desalentador.
O encolhimento no PIB é apenas a ponta de um Iceberg que, nas profundezas, submerge empresas com baixa rentabilidade para acompanhar o avanço tecnológico, cambaleantes diante de um Custo Brasil crescente e incontrolável.
Em resumo, somos caros e obsoletos – e a distância que nos separa do mundo tecnológico tende a se ampliar.
Não estamos, em definitivo, em qualquer uma das duas estradas que o mundo tomou rumo a competitividade.
O nosso habitat é o mato.
E sem cachorro para ajudar a farejar os ventos da revolução que se avizinha.