Em 2009, apresentei projeto de lei (PLS 226/09) no Senado Federal que transfere para as segundas-feiras os feriados nacionais menos emblemáticos.
Até agora não foi adiante. Deve estar feriando na gaveta de alguma comissão temática.
Os prejuízos que a proliferação de feriados provoca no País, porém, continuam. Dados da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) mostram que, ano passado, as pausas no trabalho fizeram o Brasil perder R$ 42,2 bilhões.
Cálculos da Fundação Getúlio Vargas indicam que, por cada feriado, o País tem prejuízo diário de R$ 6 bilhões.
E em 2014 o prejuízo deve ser ainda maior. Serão doze feriados nacionais, além dos estaduais e municipais.
O País deve parar também para acompanhar os jogos da seleção brasileira de futebol. Ainda não foi batido o martelo, mas possivelmente os torcedores ganharão folga nos dias dos jogos.
Agregue a esta conta o Carnaval, que ocorrerá em março, a Semana Santa, que cai em abril, e os festejos juninos – tudo isso só no primeiro semestre.
Adiante virão as eleições em primeiro e segundo turno, que também param o sistema produtivo.
Para além dos prejuízos internos, o Brasil ainda colhe danos no comércio internacional. E, de quebra, se coloca em situação vulnerável, suscetível a macular a imagem de nação produtiva – um desgaste imperdoável para um País que figura no topo das nações mundiais, com perspectivas de avanços no ranking das potências.
Ao contrário dos brasileiros, nossos concorrentes estão atentos. Em 2008, a China deu o primeiro passo ao restringir os feriados a determinados dias da semana. E, recentemente, Portugal eliminou quatro feriados nacionais de seu calendário.
Preocupados mais em jogar para a plateia do que com o desenvolvimento do País, nossos políticos cozinham em banho Maria a solução doméstica.
Não sem razão, quem produz já está preocupado por antecipação. Especialmente o comércio, obrigado a fechar as portas nos feriados e amargar retração das vendas nos chamados dias imprensados.E também a indústria brasileira, que deixará de produzir em torno de 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial, segundo a Firjan.
Todos estes números – e eles não mentem jamais – deixam claro que é preciso fazer, de forma urgente, a conta dos feriados.
Pois festejar – claro – é bom, mas não se engane: a conta chegará.
E quem paga essa fatura somos nós, contribuintes.