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Brigadas emergenciais podem frear Aedes aegypti e evitar colapso

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) recomendou o aumento do isolamento social, a criação de brigadas emergenciais de saúde e mais testagens para Covid-19 e dengue no Nordeste do Brasil. O professor Rafael Raimundo, do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente, alerta que o número de casos de doenças causadas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya) deve aumentar nas próximas semanas, o que pode levar o sistema de saúde ao colapso.

“O comitê vê como fundamental aumentar as testagens de ambas as infecções. Os governos estaduais devem obter informações sobre a disponibilidade de testes para a dengue. O aumento de casos da doença também contribuirá para a sobrecarga dos sistemas de saúde do Nordeste nas próximas semanas”, diz o estudioso, que defende a adesão do lockdown (isolamento total). “As condições para o lockdown, já utilizado em diferentes formatos em São Luiz, Fortaleza e na Região Metropolitana do Recife, também se fazem presentes, por exemplo, na Grande João Pessoa (83-88% de ocupação de leitos) e em Campina Grande (83% de vagas ocupadas)”, destaca.

Conforme o pesquisador da UFPB, os governantes, diante desse cenário, podem desenvolver ações que estimulem a criação de Brigadas Emergenciais de Saúde. A finalidade, afirma Raimundo, é utilizar equipes formadas por médicos da família, enfermeiros e agentes de saúde para combater os agentes causadores das doenças onde eles atacam inicialmente: casas, bairros, municípios do interior e periferias das cidades.

“Dado o sucesso do aplicativo Monitora Covid-19, que já conta com mais de 50 mil usuários cadastrados, a sincronização dos dados obtidos com a atuação das brigadas em campo tem sido parte essencial da estratégia de combate ao novo coronavírus. Acreditamos que a estratégia pode ser um divisor de águas no combate à infecção no Nordeste e em todo o Brasil”, ressalta Raimundo.

Cloroquina e hidroxicloroquina descartadas

Em resposta à portaria do Ministério da Saúde, publicada no dia 20 de maio, o Comitê Científico do Nordeste mantém a posição contrária ao uso de cloroquina e hidroxicloroquina, isoladas ou em associação com outros medicamentos, para o tratamento de qualquer fase da infecção provocada pelo novo coronavírus.

Rafael Raimundo atesta que a recomendação foi baseada em evidências científicas e clínicas publicadas nas maiores revistas científicas do mundo e confirmadas pelas mais importantes instituições de pesquisas internacionais. Entre elas, destacam-se o National Institute of Health (Estados Unidos), a European Medical Agency (Comunidade Europeia) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil.

“Além de não haver demonstração científica ou clínica crível da efetividade terapêutica desses medicamentos, em qualquer estágio da infecção por Covid-19, há graves efeitos colaterais em pacientes com a doença. Incluem-se a morte súbita por parada cardíaca irreversível e a insuficiência hepática e renal”, acentua o pesquisador da UFPB.

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