Moeda: Clima: Marés:
Início Geral

Brutal concentra?

A região metropolitana de João Pessoa já ultrapassou a marca de um milhão de habitantes. Éramos um contingente formado por 1.195.904 pessoas há uma semana, quando os dados foram divulgados pelo IBGE.

Os números da Grande João Pessoa convergem com relatório Perspectivas de Urbanização Mundial da ONU, que prevê uma brutal concentração urbana até 2050 – momento em que dois terços da população mundial estará espremida nos grandes centros.

Os dados do relatório apontam que, hoje, a população urbana chega a 3,9 bilhões de habitantes. Em 2045, deverá ultrapassar 6 bilhões.

No Brasil, a população urbana passou de 19 milhões, em 1950, para 161 milhões em 2010 (de 36% para 84%).

Os números assustam.

As concentrações atuais apresentam bons – e sortidos – motivos para temer a aceleração desse processo.

Se é verdade que o homem precisa da companhia dos seus iguais, as dificuldades de mobilidade, os déficits habitacionais, as estatísticas de violência e os danos à saúde sinalizam que ele não precisa de tantos a sua volta.

Olhando ao redor das megalópoles, se tem a certeza que – aqui – é muito mais difícil ser feliz. E é mesmo.

Mas como voltar ao campo para plantar e colher com a mão a pimenta e o sal?

Talvez olhando para os bons exemplos. A Europa é um deles. Lá, as pequenas cidades oferecem as condições necessárias para a manutenção do homem no campo. E os cidadãos encontram nelas tudo o que é disponibilizado nos grandes centros – serviços médicos, mercados, restaurantes, escolas.

Para os europeus, cidade pequena não é sinônimo de cidade pobre.

Nossos olhos, porém, não estão voltados para o velho mundo. Miram – e se identificam mais – com a Ásia e a África, que caminham para ostentar as maiores megalópoles do mundo.

O fenômeno em curso entre asiáticos e africanos se repete no Brasil. E a exemplo do que ocorre lá, aqui também não estamos sendo espremidos a toa. A verdade é que os campos foram esvaziados pela desarticulação da logística, que levaram as boas escolas, os bons serviços de saúde, as possibilidades de emprego e consumo para os grandes centros – obrigando a multidão rural a ir atrás.

Mas se ficar as carências nos pegam; se correr os déficit nos engolem.

Pois os serviços essenciais, que sumiram do mapa rural, operam de forma deficiente nos aglomerados – a maioria deles com grandes carências de infraestrutura e desafios ainda maiores para a conquista da sustentabilidade.

Os problemas que enfrentamos em meio ao concreto não deixam dúvidas: precisamos inverter a rota desse fluxo migratório. Precisamos retornar às nossas origens.

E quem ainda sonha com uma casa no campo, onde carneiros e cabras pastam solenes pelos jardins e se tem a certeza dos amigos do peito e nada mais, acorda do embalo de Elis Regina para o pesadelo do trânsito engarrafado, do temor de sair às ruas e da meninada pedindo comida e dinheiro nos semáforos.

Infelizmente, é para este rumo (burro e cercado por consequências dramáticas) que caminha a humanidade.

Palavras Chave

Portal Correio
publicidade
© Copyright 2026. Portal Correio. Todos os direitos reservados.