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Burrice

Ao longo da vida tive a sorte de conhecer pessoas de extremo talento.

Só evito a alcunha de gênio para não incorrer na confusa associação com a excentricidade – pecha que geralmente imputam aos muito aquinhoados com Inteligência.

Ao contrário do que prega o senso comum, porém, o genial Silvio Pélico Porto tinha o máximo de equilíbrio,

Qualidades que fizeram dele um grande paraibano.

Foi prefeito de sua cidade, Guarabira. Também foi deputado estadual, juiz, desembargador, professor universitário, advogado, secretário de Estado de Interior e Justiça e, também, de Segurança Pública.

Foi, também, um pai bem sucedido. O desembargador José Ricardo Porto e seu irmão, o juiz Silvio Porto Filho, ilustram essa boa ventura.

Com tantos recursos intelectuais e uma vida larga de experiências, Dr. Silvio tinha, sem dúvida, muitas qualidades.

O que faz, então, o inteligentíssimo Silvio Porto em um arrazoado que apregoa a burrice em seu intróito?

Sua inspiradora frase, onde atestava: “Burrice não é defeito; é infelicidade”.

E só mesmo uma burrice muito infeliz explica a iniciativa do deputado federal José Guimarães, do PT do Ceará, de ameaçar o Brasil com uma famigerada “regulamentação” da mídia do País pós-eleição.

Ele disse, em alto e bom som: “A mídia não pode ser partido político e, passadas as eleições, nós do PT vamos tomar uma medida quer queiram, quer não queiram – é a regulamentação da comunicação, pois foi além do limite”. A íntegra da retórica infame está disponível no Portal Correio (www.portalcorreio.uol.com.br)

Se propor mordaças eufemizadas como instrumentos reguladores não fossem suficientemente condenáveis, pinço o “quer queiram, quer não queiram” do parlamentar para ilustrar que, associada a burrice, estão neurônios com baixa capacidade de armazenar informações essenciais.

A mais essencial delas é que, ao que me consta, ainda vivemos – e assim permaneceremos – em uma nação democrática, com instituições sólidas, onde não há espaço para imposições de desejos na base do “quer queiram; quer não queiram”.

A nação precisa querer. As instituições precisam legitimar. O povo precisa se manifestar.

Atos de violência dessa magnitude só encontram encaixe em nações controladas por tiranos – estes, sim, adeptos das práticas “quer queiram; quer não queiram”.

Em repúblicas democráticas não há espaço para quereres tão ditatoriais. Nem forças capazes de subjugar o alicerce onde pisa mais forte o querer plural do povo.

E é burrice pensar o contrário. Pior ainda: é muito infeliz fazer esse tipo de proposição em pleno momento eleitoral, com o PT tentando conquistar o voto da nação para se manter no poder.

Quero acreditar que esse não é o pensamento da alta direção do PT, que mesmo sob intensas críticas, diz preferir o ruído das oposições ao silêncio dos regimes fechados.

Todos preferimos um Brasil ruidoso e livre.

Onde declarações burras e infelizes como as do parlamentar cearense nunca prospere no horizonte de uma nação republicana que até aceita a morte, mas jamais a privação da independência.

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