Início Geral

Caminhando com dinossauros

Tenho feito esforço tremendo para não me tornar obsoleto – uma ação que vai muito além de cuidar da saúde, investir tempo no consumo diário de informações, redobrar as atenções na tentativa de entender para onde mesmo caminha essa tal de humanidade.

Tenho intensificado minhas forças físicas e intelectuais para a realização de um projeto específico: abandonar a caminhada ao lado dos dinossauros tecnológicos.

A sensação de “jurassidade”, porém, permanece.

Há dois anos, ao ser chamado para ir a São Paulo participar do lançamento de uma caminhonete SUV top de linha, completamente high tech, a ficha da obsolescência caiu. E nunca mais a recuperei.

Na primeira volta, entendi que aquele veículo jamais me serviria.

A frente do painel, uma imensa tela touch screen, comandava todas as engrenagens do veículo – desde as funções mais simples até as mais sofisticadas.

E eu só lembro de pensar: no que me concentro? No volante ou no computador a bordo?

Se estivessem comigo, seria alvo de galhofa dos meus netos. Eles certamente operariam aquilo na maior facilidade – acionando os comandos sem sequer olhar para a tela.

Mas como eu, na minha lenta catagem de milho tecnológica, conseguiria chegar a algum lugar naquela máquina sem trombar com um poste?

Desembarquei ciente de que, por mais que me esforce, jamais vou me sentir plenamente confortável neste mundo que se acessa ao toque dos dedos.

Jamais me sentirei realmente em casa neste universo tão digital.

E quer saber?

Não é exatamente porque estou velho.

É porque essa tecnologia toda chegou tarde demais para mim.

Ao longo de 50 anos, vivi sem sequer imaginar no que estava sendo preparado ao dobrar a esquina do analógico.

Tudo isso que nos rodeia – aparelhos smart, conexão instantânea com o mundo, operações virtuais – apareceu em um instante.

De um momento para o outro, nos tiraram do parque dos dinossauros e nos apresentaram ao holograma de um mundo tecnológico.

Como não se sentir tonto?

Como não se sentir – em vários níveis – um ser obsoleto?

Uma obsolescência, aliás, que não atinge apenas velhos dinossauros.

Até mesmo quem já nasceu em berço comandado por computador, em algum momento se sente um pouco deslocado no tempo-espaço das vertiginosas invocações tecnológicas.

Eu não estou, definitivamente, sozinho nessa caminhada jurássica!

Mas isso é assunto para nosso próximo encontro. A saga dos dinossauros (velhos e novos) continua…

Palavras Chave

Portal Correio

Comentários

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será revelado.

publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.