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Campina Grande tem projeto pioneiro de parataekwondo no Nordeste

Sonhos, alegria e recomeço. Um projeto social no bairro da Liberdade, em Campina Grande, se tornou exemplo de inclusão e referência no esporte paralímpico brasileiro.

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A equipe de Parataekwondo, que é um taekwondo adaptado para pessoas com deficiência física, motora, visual ou intelectual, atende cerca de 100 crianças, promovendo a inclusão social e formando futuros campeões. Todos os dias, a sala onde são realizados os treinamentos, se transforma em um verdadeiro paraíso do esporte, fazendo brilhar os olhos e reanimando a rotina de dezenas de crianças.

O professor Ricardo é coordenador do projeto. Ele não esconde a alegria em falar dos grandes resultados alcançados.

“Campina Grande, hoje, está sendo um berço do Parataekwondo nacional. A gente tem um registro pela CPB (Confederação Paralímpica Brasileira). Somos o único do Nordeste. É uma responsabilidade maior pra gente e uma forma do pessoal começar a ver com um olhar diferente”, disse. Ricardo é exemplo de dedicação a um trabalho que, por meio do esporte, têm um forte impacto na comunidade. Quando veste o kimono, roupa especializada para a prática da modalidade, o professor se transforma em um pai, inspiração para todos os alunos.

Mas as dificuldades também são enormes. Principalmente com as famílias. O receio do contato da criança com o esporte, em muitos casos, começa em casa. “A maior dificuldade que a gente tem hoje não é nem tanto a criança. Ela quer praticar o esporte. E sim a família aceitar que ela pode praticar. Às vezes a mãe teme que a criança possa se machucar, por ser um esporte de contato. Mas não, é uma forma de interação entre a criança que tem deficiência e a que não tem. Uma forma de sociabilizar”, completou. O grande desafio é entender o Parataekwondo como uma alternativa de socialização, um complemento ao acompanhamento que é feito com os médicos.

Família é um elemento essencial na rotina

Os efeitos do projeto na vida das crianças são notados com facilidade. A mudança na rotina e a alegria em praticar um esporte acabam ajudando, inclusive, no tratamento, facilitando a chegada de maiores resultados. “Eles se sentem mais ativos. Aqui, a gente sabe a alimentação de cada um. Observa o que eles têm de deficiência e, com isso, a gente consegue juntar. A gente coloca uma meta. Treina durante alguns meses e mostra o resultado à família. E a família fica super feliz”, comemorou.

A reação das crianças ao treinamento motiva o professor. “Às vezes, o pessoal se choca um pouco pelo fato de uma criança com deficiência fazer coisas que, quem não tem, não consegue fazer. Eles buscam essa melhoria. Estão sempre fazendo coisas novas. Eles pesquisam no “YouTube”. A gente nunca diz “não” às ideias deles. Motivamos os treinamentos para ver se eles conseguem. Sempre existe um retorno”, comentou.

O grande segredo do processo sócio-educativo é fazer a criança se sentir parte dele. Os treinos são elaborados, compartilhado com os alunos e, a partir das reações nos treinos, são passados para um segundo momento, que contém o complemento da atividade com novas práticas. Cada passo é dado em conjunto.

Modalidade vai estrear nas Paralimpíadas-2020

As boas novidades animam. A partir de 2020, o taekwondo será um esporte paralímpico. E, desde muito antes, o planejamento é traçado. Os planos do projeto são ambiciosos. No dia três de março, Ricardo levou um representante paraibano para a Seleção Brasileira de Parataekwondo. O atleta é Nielison Coutinho, da cidade de Alagoa Grande.

“Consegui o apoio, a passagem dele. Ele treinou com a Seleção Olímpica”, afirmou. O projeto Parataekwondo de Campina Grande e a Paraíba terão um representante na primeira seletiva mundial, que será na África, em junho. “Acho que isso, pra gente, é um sonho realizado”, disse Ricardo, que completou: “é importante a gente estar dedicado nessas viagens, são equipes muito bem estruturadas, com muito material, psicólogos, fisioterapeutas. Eram cerca de nove horas de treino diário”, concluiu.

O sonho de ter um representante do estado na seleção da modalidade é compartilhado com o Mestre Tomaz André, presidente da Federação Paraibana de Taekwondo.

“Desde 1988 o taekwondo passou a ser um esporte olímpico e, em 2020, passa a ser também um esporte paralímpico. É uma conquista, e vamos lutar para também colocar a Paraíba nesse cenário de crescimento”, vibrou.

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