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Campos e o destino

A trágica morte de Eduardo Campos abalou emocionalmente toda a nação brasileira, especialmente as lideranças políticas e os eleitores que viam nele uma esperança de melhores dias para o Brasil. Campos resolveu se candidatar a presidente da República na tentativa de aperfeiçoar conquistas obtidas pela sociedade desde que o Brasil se livrou do maldito ciclo de governos militares que impuseram medo, tortura, prisões, mortes e desaparecimentos que até hoje atormentam a sociedade.

Como neto de Miguel Arraes, ele, com certeza, sofreu na adolescência e na juventude com as perseguições ao avô. Mas ainda na juventude, com o fim do regime militar, ele contribuiu, também ao lado do avô, para o aperfeiçoamento da democracia brasileira, assim como fizeram os ex-presidentes Lula (na condição de operário e liderança sindical), Fernando Henrique Cardoso (como intelectual), e a presidente Dilma (como estudante e militante de esquerda), entre tantas outras lideranças que brigaram pela democracia e por liberdade. Eduardo Campos foi deputado, secretário de Estado e duas vezes governador de Pernambuco. Desenvolveu o Estado e queria mais.

Queria levar sua experiência exitosa de governante para o Palácio do Planalto. Acreditava que chegaria ao segundo turno das eleições presidenciais e que enfrentaria a presidente Dilma (primeira colocada nas pesquisas). Poderia até nem chegar, mas não havia dúvidas de que, mais cedo ou mais tarde, Campos chegaria ao poder. Mas quis o destino que não fosse como ele havia planejado. A morte trágica de Campos, dos assessores e dos pilotos levanta um questionamento.

Era o dia deles? Estavam predestinados? Há cristãos que acreditam cegamente que nascemos com dia e hora certa para morrermos. Acreditam que Deus planejou tudo e que nada ocorre sem que Ele queira. Mas que Pai seria Deus se tivesse programado uma tragédia como a que abalou o Brasil na semana passada?

Deus é cruel? É um Deus de morte? É um Deus que programas tragédias e desgraças? Há quem encontre respostas na própria Bíblia, em cujo Velho Testamento está um Deus vingativo. Mas não acredito em nada disso. Creio que todas as desgraças que afetam a humanidade têm como culpados os próprios seres humanos.

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