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Cana-de-Açúcar

Um elemento sobrevive na cena histórica do Nordeste desde a colonização: a cana-de açúcar.

Docemente – ou não – foi em torno dela que nos estruturamos como região.

E a Paraíba, como não poderia deixar de ser, também desenvolveu profunda sinergia com a monocultura.

Toda a sua história tem a presença da cana-de-açúcar.

Mesmo em nossos conflitos – a exemplo da invasão holandesa – os canaviais foram em parte preservados.

Pois a paralisia da produção redundaria em prejuízo para ambos os lados: invasores e invadidos.

Essa onipresença econômica resistiu a séculos de história e continuava perceptível (ainda que experimentando declínio) quando aqui cheguei, no início da década de 70.

De perto, testemunhei o elo umbilical entre a cana-de-açúcar e o nosso povo.

A sociedade plural e sua elite dependiam fortemente desse segmento econômico.

Sobrevoando os anos que antecederam 2016 (período de muitas inconstâncias e lamentações), registramos momentos pontuais de reanimações.

E até de ânimo e fé, a exemplo do lançamento de programas como o Proálcool.

Muitas empresas foram beneficiadas por políticas de crédito para o incentivo do anidro hidratado (etanol), tirando a dependência absoluta da commodity açúcar.

A gente sabe o que aconteceu depois: o ânimo arrefeceu sob a imposição de leque amplo de inconstâncias – variações de taxas cambiais, retrações de mercado externo e interno, irregularidade das chuvas.

E somente agora – depois de um longo período de instabilidades – os produtores têm motivo para voltar a reanimar a fé.

Dos céus, literalmente, veio o refrigério: estamos tendo um ano extraordinário na regularidade das chuvas, sinalizando para uma moagem acima de 51 milhões de toneladas de cana na região – pelo menos um milhão a mais do que a temporada 2015/2016.

O senão foi, justamente, o mês que acaba de findar.

Este julho, só para contrariar e abalar o ânimo, foi o mês mais seco da série histórica.

Se agosto não trouxer mais desgosto, porém, os cálculos favoráveis serão mantidos.

E a Paraíba – juntamente com os vizinhos Pernambuco e Alagoas – finalmente colherão boas notícias dos canaviais.

Obviamente, o ideal era que os níveis de chuvas estivessem associados a níveis compatíveis de capitalização – corroídos por tantos ciclos de instabilidade.

Não basta, é claro, um ano bom.

Precisamos de mais regularidade das chuvas, mais generosidade dos céus.

O setor álcool-açucareiro merece uma serie de pelo menos cinco anos de boas venturas.

A despeito, porém, das interrogações desenhadas no horizonte, temos sim – aqui e agora – com o que nos animar.

Especialmente quando se considera que estas conquistas ocorrem em meio a um entorno dos mais conturbados.

Essa resistência justifica o papel que a cana-de-açúcar desempenhou no passado.

E explica porque, em pleno século XXI (21), o pulso da cana-de-açúcar ainda pulsa forte.

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