Crianças são surpreendentes.
Não tente enganá-las. Nem contem com elas para enganar terceiros.
Pois crianças não respeitam script; não ensaiam protocolos; não simulam.
Elas podem colocar um roteiro minuciosamente programado de cabeça para baixo com aquela peculiar inclinação para a verdade, para a autenticidade, para a liberdade de dizer o que lhes passa pela cabeça – uma espontaneidade, aliás, que me encanta.
Mas, por outro lado, essas peculiaridades já renderam momentos vexatórios. Ou hilários.
Como naquele episódio em que o pai, disfarçando sua avareza, pede ao garçom para embrulhar o resto da comida para o cachorro. De súbito, o filho comemora:
– Oba, pai vai comprar um cachorro!
Na última quarta-feira, o prefeito Luciano Cartaxo correu todos esses riscos ao convidar um grupo de jornalistas (comigo de contrapeso) para conhecer as obras em curso na Capital – entre as quais uma creche com 150 crianças.
E o que tenho a dizer, como resumo da ópera, é que a experiência foi no mínimo surpreendente.
Obviamente, quando a imprensa é instada a conferir in loco a obra pública, o cenário costuma ser muito bem preparado. E o municipal estava.
Eu também estava preparado (e não fui frustrado) para encontrar equipamentos bem executados e estratégicos para o incremento da qualidade de vida dos pessoenses – praças, conjuntos habitacionais, unidades de saúde.
O que eu não previa (e como poderia?) era o efeito que a creche me causaria.
Em um cenário muito bem cuidado, moderno e operado por um grupo multidisciplinar, um mar de crianças sorridentes nos aguardava – pequenos cidadãos oriundos de classes de baixa renda.
Aqueles semblantes confiantes e exibindo inequívoco bem estar não podem ser treinados nem maquiados.
Definitivamente, não se combina com 150 crianças um roteiro para mostrar, a visitantes, como as creches da Capital experimentaram um ciclo marcado por novo padrão de qualidade e humanização.
Construir paredes é importante. Aparelhar os equipamentos públicos também. Asfaltar, pintar, puxar e esticar – tudo isso importa, e muito, ao cidadão contribuinte.
Mas nada se compara ao que vi naquela creche.
No périplo de sala em sala, testemunhei crianças com necessidades especiais recebendo tratamento qualificado; Assisti, também, pequenos internautas sendo formados; e, principalmente, vi uma meninada muito feliz.
Cenários são montáveis; alegria infantil não.
Saí de lá emocionado.