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Hermes de Luna

Rompimento político não acontece da noite pro dia. Tem um processo de maturação por trás dos acontecimentos mais perceptíveis ao público, que vai fazendo com que as relações azedem. Esse ciclo está se repetindo. Vai vingar? Vamos assistir de novo o que ocorreu em Campina Grande em 1998 (o episódio do Campestre)? Talvez até haja tempo dos bombeiros acionarem suas estratégias e conseguirem dominar as labaredas, mas sempre ficará em fogo do monturo.

As cenas de hoje, quando a secretária Ana Cláudia Vital se retirou da solenidade sob a batuta do governador João Azevedo, indignada por não estar relacionada na mesa dos trabalhos, são continuidades de capítulos anteriores, que vêm se somando nessa evolução de gestos desconfortáveis dentro da base governista. Quem não lembra da reunião da Executiva Estadual do MDB, em João Pessoa, quando Roberto Paulino seguiu para o Palácio da Redenção e a maioria ficou na sede do partido, com um discurso de fortalecer uma eventual pré-candidatura em faixa própria? Coube ao vereador pessoense Mikika Leitão reverberar em alto e bom som que o nome ungido pela sigla era o do senador Veneziano Vital do Rêgo.

Depois da publicidade de Mikika, veio o ex-deputado federal Benjamim Maranhão, nas redes sociais, defendendo a independência do MDB em relação ao ao Governo do Estado e o lançamento da pré-candidatura de Veneziano. Benjamin disse que fez a defesa por convicção própria, por acreditar na força do partido, para que ele volte a ser protagonista nas eleições estaduais.

O ex-deputado entendia que seria um ato de coerência com o pensamento do maior líder do MDB paraibano, o seu tio José Maranhão, que perdeu a luta para a Covid 19 recentemente. “Ele fez isso até o último dia de sua vida, que foi no domingo do segundo turno das eleições municipais de João Pessoa, quando defendeu a candidatura do partido. Não podemos dar as costas a esse pensamento de independência, de altivez e não de colocar interesses pessoais à frente dos interesses da Paraíba”, discursou.

Naquele momento, Roberto Paulino entrou em cena para apaziguar a situação. Agora é o deputado Raniery Paulino quem chega como bombeiro. Veneziano Vital do Rêgo, senador e pivô da novela emedebista, achou “deselegante”o que fizeram com sua esposa, deixando-a de fora da mesa dos trabalhos em Campina Grande. Por sua assessoria, Ana Cláudia, que disputou a prefeitura municipal pelo Podemos e com apoio do governo, relatou que o cerimonial foi “curto e grosso”ao avisar que ela não teria espaço na mesa, mas logo em seguida acomodou os deputados Manoel Ludgério (adversário dos Vital do Rêgo e aliado do ex-prefeito Romero Rodrigues) e Doda de Tião (que nem é de Campina Grande).

O governador estranhou a decisão da secretária de ir embora. Disse que ela é quem deve procura-lo para dar explicações do acontecido. Como trata-se de uma secretária, cargo de confiança do chefe do Executivo, pergunta-se: Ela ficará no cargo? A convocação será oficial? Ela vai se antecipar e entregar o cargo, selando de vez o rompimento? O governador vai tomar a iniciativa de ligar para o senador Veneziano? Ou os “bombeiros” têm mesmo força de debelar as chamas?

Essa crise não envolve apenas MDB e Cidadania. Tem satélites em torno de sua órbita. Ana Cláudia é nome sempre lembrado para compor uma chapa majoritária, em 2022. Rompida com o governo, abriria espaços para outros pretensos candidatos avançarem na disputa pela indicação, seja como companheiro de chapa de João Azevedo ou seja até na preferência de pré-candidato a senador ou a suplente. Se em política não existe almoço grátis, também cadeira não fica vazia por muito tempo.

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