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Josival Pereira

O Ministério da Saúde acabou caindo nas mãos do médico paraibano Marcelo Queiroga, o quarto a ocupar a pasta nos dois anos do governo do presidente Jair Bolsonaro.

Queiroga tem um currículo profissional de respeito na Paraíba e no Brasil. Tanto que ocupa a presidência da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Um atributo que melhor pode representar o novo ministro da Saúde do Brasil talvez seja o da coragem. Foi o necessário para, logo no início da carreira, montar equipe e desatar a realizar transplantes e outras cirurgias cardíacas na Paraíba. Um sonho e uma ousadia para a época.

Somente a coragem justifica a decisão do médico Marcelo Queiroga de assumir o Ministério da Saúde neste momento. E não é porque a pandemia já se aproxima de atingir 12 milhões de casos e marcha célere para matar 300 mil brasileiros. Um horror sem comparação.

E essa coragem certamente não decorre da perspectiva de ter que enfrentar um sistema de saúde colapsado ou prestes a colapsar em pelo menos 70% dos estados e as sinistras previsões da ex quase ministra Ludhmila Hajjar de que o Brasil pode atingir as 500 mil mortes por Covid-19, sem esquecer o apocalipse anunciado pelo neurocientista Miguel Nicolelis.

A coragem é pelo fato de decidir assumir o Ministério da Saúde com três exemplos recentes de fracasso, não por incompetência dos ministros, mas por causa da absoluta incompatibilidade com o presidente da República, o dono do cargo.

É preciso muita coragem para topar o desafio de combater a pandemia do coronavírus consciente de que dificilmente poderá usar a ciência, a razão de sua nobre profissão, para nortear o trabalho.

De todas as diretrizes oferecidas pela ciência para o enfrentamento da pandemia parece existir apenas um fio que converge Queiroga e o governo, que é a vacinação. Outra convergência é a afinidade política. Muito pouco para tão formidável problema.

Vão ficar as perguntas: Queiroga vai conseguir operar milagre no coração dos Bolsonaro para seguir o caminho da ciência ou vai acabar contaminado ideologicamente? Haverá outras saídas?

O anseio geral é para que o médico Marcelo Queiroga descubra o melhor caminho, interrompa a velocidade de transmissão do vírus, reduza imediatamente o número de mortes de pessoas e amplie significativamente a oferta de vacinas.

Seja como for, precisará de reza forte e boa sorte. No Sertão da Paraíba, mais antigamente, se diria que ele vai precisar da sabedoria de um encantador e da disposição de um bom amansador de burro brabo para dar conta da tarefa.

Bom é que, lá no Planalto, nem se deixe encantar pelo poder nem cair do cavalo. Há uma missão a cumprir. A Paraíba está toda na torcida.

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