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Hermes de Luna

O bom é ter história pra contar. E a quem contar…

Cada ano que passa, temos no Brasil um alargamento da faixa etária de idosos com mais de 60 anos. A Paraíba, proporcionalmente, é um dos estados com o maior número de idosos em sua população. Do início da pandemia, até os dias de hoje há uma sensata preocupação das autoridades de saúde em priorizar o atendimento, assistência e (mais recentemente) a vacinação para todas as faixas acima dos 60 anos. São mais de 500 mil paraibanos que nasceram na década de 60 (ou talvez um pouquinho antes) e já são experientes o bastante para esperar a tormenta passar navegando bem devagar contra essa onda virulenta que está lá fora.

Muito além de aposentados, idosos com mais de 60 anos têm potencial, estão cada vez mais conectados e tecnológicos, representando um mercado consumidor no Brasil que passa de R$ 1,8 trilhão/ano. Esse fenômeno do interesse cada vez mais presente pela internet foi acelerado pela pandemia, quando eles foram obrigados a ficar em casa e arrumar meios de se comunicar em tempo real com seus familiares, ficar mais atento às informações e buscar até a espiritualidade virtual.

Sagrada internet. Ao longo de 2020, 85% dos idosos conectados à internet a utilizaram para obter informações sobre produtos ou serviços antes da realização de uma compra, e 75% efetivamente adquiriram algo online. As informações são de um levantamento que a Kantar IBOPE Media fez para o conteúdo temático Data Stories, que reúne dados de diversos estudos da empresa que ajudam a analisar cenários, perspectivas e tendências relevantes sobre audiência, publicidade, planejamento de mídia e comportamento do consumidor.

Na próxima semana, a partir da terça-feira (30) a TV CORREIO lança uma série especial, com reportagens diárias que se debruçam sobre esse mundo novo dos mais idosos. Sim, eles estão mais conectados, mas não desgrudam da tela da TV.

Um mapeamento tecnológico, realizado por uma empresa chamada BrainBoxol, releva as múltiplas fontes de informações dessa população específica e vai em busca das principais estatísticas de como as diferentes gerações se relacionam com as tecnologias atuais. Os números têm similaridades com o que é percebido no Brasil.

Essa geração da qual estamos falando é a convencionada como a ‘Babys Bommers‘ (nascidos entre 1944 e 1964) . Uma geração sem contato com as tecnologias atuais, mas que trouxe como herdeiros a “Geração X” (nascidos entre 1965 e 1979); como netos “Geração Y” (nascidos entre 1980 e 1994, a geração Millennials); e hoje seus bisnetos são da “Geração Z”(nascidos entre 1995 e 2015).

E não é que os babys bommers estão, com a ajuda dos herdeiros, descobrindo as facilidades tecnológicos??!! Pra quê o espanto? Eles estão cada vez mais saudáveis, mais cuidadosos com o corpo e com a mente. Cada vez mais focados no que realmente lhe interessa. Puxando a brasa pra nossa sardinha, é uma geração que tem um olho na internet, mas enxerga na televisão o carimbo da credibilidade.

O levantamento realizado durante a pandemia, intitulado Target Group Index Flash Pandemic, indica que 62% dos idosos conectados à internet disseram que a COVID-19 contribuiu para a adoção da tecnologia no cotidiano, e 49% que ela fez com que plataformas como Instagram e Facebook se tornassem mais importantes para eles, enquanto 48% proporcionou tempo para o aprendizado de novas habilidades.

No Brasil, há mais de 30 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa expressiva parcela da população teve de se adaptar às atividades remotas e a distância durante a pandemia do coronavírus. Resultado: mudou a forma de consumo também, ficando mais digitalizada.

Os números da Kantar Ibope confirmam a percepção. A maioria delas aumentou a permanência na internet e nas redes sociais durante a pandemia, além de consumir mais streaming e itens on-line. A plataforma preferida foi o Facebook, acessada por 98% dos que têm acesso à internet, seguida pelo WhatsApp, com 95%.

No mapeamento tecnológico da BrainBoxol, essa geração +60 se identifica pelo forte trabalho ético, são autossuficientes, competitivos e comunicativos. O principal produto tecnológico para eles é a televisão, sendo que 85% possuem celulares, 65% possuem computadores, 7% possuem leitores de ebook, 4% possuem tablets, 34% checam a Internet para comparar valores durante uma compra e 20% acreditam que as redes sociais afetam como as pessoas nos veem.

A série especial que a TV CORREIO lança no dia 30 de março, no programa Correio Debate, que vai ao ar de segunda à sexta-feira às 13h50, ouviu especialistas, usuários da internet, gente atenada com o mercado e a saúde, e mostra a mudança do comportamento dos idosos. O que não muda é o bom gosto deles pela informação com credibilidade. Afinal, se eles têm muita história para contar, essa adaptação nessa modernidade toda já pode ser contada, com carinho e afeto, para filhos, netos e bisnetos.

A gente torce para um dia também chegar lá e ter histórias pra contar…

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