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Guilherme Baía

Um dos assuntos que mais discuto com meus clientes é sobre onde podemos colocar o nosso foco. Nossa atenção só deve ser voltada para aquilo que controlamos e para aquilo que é importante. O que não controlamos só podemos saber lidar e não faz sentido gastar tempo, como também não faz sentido gastar tempo com o que não é importante.

Isto posto, é importante lembrar que algumas coisas não temos o menor controle: os impostos, por exemplo. Sequer teriam esse nome se fossem controláveis. O que podemos fazer? Aprender como lidar com eles (usando os descontos do carnê-leão, guardando recibos de despesas médicas, etc).

Já outras coisas, podemos e devemos controlar: nossa vontade de gastar ou aquilo que consideramos importante, por exemplo.

Nenhum dinheiro é gasto forçosamente. Você paga os impostos por ter aceito aquela renda ou operação em que teve lucro. Ter plano de saúde é uma escolha sua. Não ter também. Tudo isso vem daquilo que definimos importante em nossa vida financeira.

E essa definição se divide em duas visões. A míope é aquela visão que precisa trazer as coisas para perto para ter sentido. Já a visão hipermetrope é a visão que precisa levar as coisas ao longe para fazer sentido. Em finanças o paralelo é claro: a visão míope é a do consumo e do conforto e a visão hipermetrope é a visão da poupança e da segurança.

O míope em finanças é aquele que é mais dado ao consumo. Entre guardar dinheiro para fazer uma compra, ele compra e depois parcela. Traz ao presente para ver sentido e o futuro, por ser nebuloso, lhe incomoda, não importa tanto.

Já o hipermetrope é aquele que precisa colocar as coisas ao futuro para poder se sentir melhor. É, provavelmente, a pessoa que prefere esperar pra chegar em casa e esquentar a janta que comprar um lanche enquanto espera na fila do supermercado. Mais preocupado em guardar dinheiro, pode se privar de certos prazeres na vida.

No fundo, são todas decisões irracionais que depois são trazidas à razão por um argumento nem sempre bem fundamentado. “E quando eu ia poder viajar?” diz o míope. “Pagar um quilo de arroz num salgadinho?” diz o hipermetrope.

Em finanças pessoais descobri que devemos entender as razões de consumo de cada pessoa. “Por que ela considera ser rico mais importante que ter tempo para a vida?” é uma pergunta provável e até muito comum. E aprendi também que nenhuma regra, nenhuma, vale para todas as pessoas. Sequer a ideia de que devemos gastar menos que ganhamos vale para todas as pessoas.

Assim, não é a visão míope nem a hipermetrope a melhor. Nem devemos ser tão dados ao consumo nem tão dados às reservas. Pergunte a qualquer oftalmologista. A visão perfeita não precisa de óculos, mas é um equilíbrio entre as duas visões.

Guilherme Baía

@guilhermebaia

Planejador Financeiro Fiduciário, cuja missão é entender os seus valores e ajudar você a lidar melhor com o dinheiro para atingir seus objetivos de vida.

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