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Professor Trindade

Quem não conhece esses versos?:

João amava Teresa que amava Raimundo

que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili

que não amava ninguém.

João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,

Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,

Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes

que não tinha entrado na história

Trata-se do famoso poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade.

Nele, a temática principal é a imprevisibilidade do amor e destaca, para chegar até ela, a do amor não correspondido.

O amor é e sempre será temática inesgotável para os poetas; sobretudo, o não correspondido. Trazemos para os leitores uma pequena coletânea de versos (poemas ou letras de música) que versam sobre esse tema universal e inesgotável:

Eu morro por Filomena,

Filomena por Joaquim,

o Joaquim por Madalena

e Madalena por mim.

(Belmiro Braga) 

Lero-Lero 

Sou brasileiro de estatura mediana 

Gosto muito de fulana mas sicrana é quem me quer…

(Casaso)

Quem eu quero não me quer

Quem eu quero não me quer…

Quem me quer mandei embora

E por isso eu já nem sei

O que será de mim agora

Passo as noites recordando

Revivendo este castigo

No meu quarto de saudade

Solidão mora comigo

Por onde anda quem me quer

Quem não me quer onde andará que será das suas vidas

Da minha vida o que será

Não sou capaz de ser feliz

Nos braços de um amor qualquer

Ai se uma fosse a outra

Que eu amo tanto e não me quer. 

(Raul Sampaio)

Sei que é covardia

Sei que é covardia um homem chorar por quem não lhe quer 

Sei que é covardia um homem chorar por quem não lhe quer

Não descanso um só momento

Não me sai do pensamento

Essa mulher

Que eu quero tanto bem

E ela não me quer!

Que eu quero tanto bem

E ela não me quer!

Outro amor

Não resolve a minha dor!

Só porque o meu coração

Já não quer outra mulher

Pois é… 

(Ataulfo Alves)

Quem nunca teve um amor não correspondido que atire a primeira pedra! 

Momento de poesia

Fatalidade

(João Trindade)

Na aurora da tua adolescência

Eu te amei, desesperadamente

E tu, na tua inconsciência,

Meus carinhos desprezavas, simplesmente.

A vida foi seguindo para frente

Enterrei no sofrimento minha dor

Continuavas com teu gesto insolente

A me pisar e a zombar do meu amor.

Hoje é tudo muito diferente,

Já me procuras e tentas me dizer qualquer coisa

Que o meu coração em vão pressente

Mas há coisas que, se não ditas na hora,

A vida impiedosamente deflora

E ir contra ela ninguém ousa.

(Do meu livro de estreia (poemas): “Um Pouco Além do Sonho”. Editora A União, 1981).

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