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Hermes de Luna

Em política, sempre há uma chance para recomeçar. Se o novo projeto vai dar certo ou vai pelo ralo, depende muito de algumas conjunturas, ações ou nível de exposição negativa em que os atores estão envolvidos. Para os partidos políticos, esse renascimento é mais fácil. O MDB é a legenda que tenta renascer das cinzas, com a renovação dos seus quadros, para tentar novamente ser protagonista da disputa majoritária na Paraíba. Está nas mãos do vice-presidente do Senado Federal, Veneziano Vital do Rêgo, a condução desse processo. Não será fácil, mas se fosse fácil não precisaria da força de uma liderança em ascensão como o senador campinense.

A reunião que ele comandou, de forma remota, com filiados, dirigentes e lideranças importantes do MDB paraibano foi o primeiro passo na busca de aliados que possa fortalecer a estratégia de recolocar o partido no tabuleiro de 2022. Houve um consenso de que o diálogo deveria ser aberto com o Cidadania, do governador João Azevêdo, para dar um gesto de que os emedebistas vão apoiar o projeto reeleição do gestor. Essa aproximação dos partidos vem sendo fortalecida desde as eleições municipais passadas.

Existem entusiastas para esse palanque, com Cidadania e MDB dividindo espaços. Resta saber se serão espaços iguais, proporcionais ou quem vai ter a preferências por determinadas vagas na chapa majoritária. João tem hoje o PDT na vice-governadoria, representada por Lígia Feliciano. Caso essa vaga seja oferecida ao MDB, como compensar o grupo Feliciano, sem abrir uma ruptura com o grupo de Vené, ambos campinenses? O PDT deve reivindicar a repetição do projeto que deu certo nas duas últimas eleições, mas tem que, por sua vez, apresentar um nome competitivo, capaz de substituir a esposa do deputado federal Damião Feliciano à altura.

A cabeça de chapa é inegociável para o Cidadania, mesmo que suas lideranças repitam que o mais importante é pensar num projeto de gestão para o Estado. O projeto de poder de qualquer partido político é o de manutenção da hegemonia e isso se consegue com a permanência na cadeira mais importante do Palácio da Redenção.

A chapa ainda tem a indicação do candidato à única vaga ao Senado Federal no ano que vem. O MDB, preferencialmente, vai reivindicar a prioridade dessa indicação, já que o mandato originalmente era ocupado pelo senador José Maranhão. Com sua morte, o partido continuou a ocupa-la, com a suplente Nilda Gondim, mãe de Veneziano. O problema se voltaria para o MDB, que teria que indicar o candidato (ou a candidata). Dentro do MDB ninguém vê como grande empecilho a vontade de Nilda tentar a reeleição. Ela poderia abrir mão em favor da unidade partidária, até porque o mandato do filho prossegue sem sobressalto e ganhou espaços importantes no Congresso.

A suplência da vaga de senador não interessa ao MDB.

Para essa chegada do MDB no palanque estadual do Cidadania tem que haver a acomodação de forças de aliados do atual governador, como o próprio Progressistas, do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que tem sinalizado por outras lideranças – leia-se Aguinaldo e Daniela – que pode seguir em faixa própria, afastando-se dessa aliança. Outro aliado importante do partido do governador é o Democratas, que já tem o deputado federal Efraim Filho como pré-candidato a senador. Toda essa construção testará a habilidade política dos envolvidos, mas principalmente do governador João Azevêdo, que nas eleições do ano que vem não estará mais na sombra de antigos aliados, como o ex-governador Ricardo Coutinho. Acertar na formação da chapa e sair vitorioso da disputa coloca-lhe nas mãos as credenciais de um articulador político com brilho próprio.

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