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Ivo Marques

Na semana passada, fiz um comentário em vídeo, e disse que não acreditava na classificação do Botafogo para as quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A2 e disse também, que gostaria muito de queimar a língua. Não falei isso por achar que o time feminino do Belo é ruim, muito pelo contrário, acompanho o trabalho incansável da técnica Gleide Costa à frente do departamento feminino do Botafogo e o time é realmente muito bom, indiscutivelmente o melhor da Paraíba, campeão do Estado por méritos. Mas, assim como no futebol masculino, para campeonatos nacionais, onde o nível é alto e profissional, o Belo foi até o seu limite.
Desde a divulgação da tabela da competição, se sabia que a equipe do Ceará era a melhor do grupo do Botafogo, e a diferença básica entre o Vozão e as outras equipes, estava na estrutura profissional. Enquanto a maioria das atletas do Belo trabalham o dia inteiro e só treinam à noite, as do Ceará treinam até 2 vezes por dia e as atletas vivem, única e exclusivamente, do futebol.

A diferença de preparo físico e técnico entre as duas equipes ficou muito evidente nos confrontos, principalmente em relação ao segundo tempo das partidas. Quando o Ceará venceu o Botafogo aqui no Almeidão, a técnica Gleide Rocha, manteve o otimismo e acabou dizendo, nas entrevistas, que da mesma forma que as cearense tinham vindo aqui e ganhado, as belas do Belo poderiam ir a Fortaleza e reverter o quadro.

No fundo, Gleide sabia que iria perder mais uma vez, mas não poderia dizer isto às atletas, porque elas iam perder a motivação para tentar vencer. “Não dá para comparar uma equipe com essa estrutura, com a nossa, que ainda é amadora.”, disse a treinadora, que nunca escondeu a tristeza de ter pego no sorteio, outra vez, o Ceará, a única equipe que as belas tinham perdido na primeira fase.

Série C

Tem muitos torcedores do Botafogo criticando severamente a diretoria do Botafogo, os jogadores e agora até o técnico Gerson Gusmão, por causa da campanha irregular do time na Série C, e sobretudo após a derrota, com uma péssima atuação, para a Tombense, no último sábado, em Minas Gerais. O torcedor é sempre paixão acima da razão. É bastante compreensível essa revolta. Porém, ninguém de sã consciência, nem mesmo os que fazem o clube, tiveram como prioridade o acesso para a Série B este ano. A prioridade sempre foi fazer uma boa campanha e se manter na Série C. Claro, que se alcançado isto, a equipe ia tentar um novo objetivo, que será o acesso.

Para quem soube entender isto, o time não está tão mal na competição, se mantendo alí dentro ou próximo do grupo de classificação. Mas, o torcedor mais apaixonado pode me perguntar por que eu penso como a diretoria e não coloco como prioridade o acesso, a qualquer custo, este ano. Por um motivo muito simples. A nova diretoria pegou um time mergulhado em dívidas, e sem dinheiro, não pôde fazer contratações de jogadores de alto nível técnico, com salários além da realidade financeira atual do clube.

O que a diretoria atual fez foi evitar o rebaixamento para a Série D no ano passado, e armar um time bom e barato para o Campeonato Paraibano. Após isto, fez algumas contratações pontuais para a Série C. O time atual é bem melhor do que o que perdeu o título paraibano, mas não pode ser considerado favorito ao acesso. Derrotas, como aconteceu com a Tombense, vão continuar acontecendo, mas também vitórias como contra o Altos também vão acontecer. O que se busca na verdade é que o número de vitórias supere os de empate e os das derrotas. Por enquanto, isto está acontecendo e é claro que nas derrotas os torcedores e a própria imprensa vão criticar, o que é perfeitamente normal, como também será normal, elogiar e vibrar com as vitórias.


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