Início Colunas
Hermes de Luna

Embora o Brasil chore as mortes e conviva diariamente com a tragédia pandêmica, por dois anos seguidos, a vida paralela continua sua caminhada, mesmo que seja a passos lentos. A economia se esforça para sair do buraco; a iniciativa privada desliza em uma série de decretos restritivos que barram seus funcionamento; e no Congresso Nacional, mesmo com o foco maior sendo para projetos com medidas que ajudem no combate aos efeitos econômicos e danosos na Covid 19, seguem as votações de iniciativas interessantes e, mais do que nunca, fora do campo de visão do grande público. Na alça da política partidária, acontece o mesmo. As pedras vão se mexendo devagar, com apostas para as eleições de 2022.

Falar em público dessas estratégias soa como heresia para as lideranças políticas. Elas evitam tocar nesse assunto a qualquer custo, com o discurso que a prioridade é salvar vidas. Sim, claro que é. Mas nos bastidores está se desenrolando um jogo de xadrez e as primeiras pedras avançaram rapidamente algumas casas desse tabuleiro intricado.

Pensar na majoritária aqui na Paraíba no ano que vem, inevitavelmente, é conjecturar sobre a única vaga que tem no Senado Federal. A cadeira que por muitos anos foi bem representada pelo senador José Maranhão será alvo de uma disputa muita forte. E quem se lançou primeiro ao ataque foi o Democratas. O jogador é habilidoso e representa uma torre de sua legenda. Uma peça estratégica muito forte que, se bem posicionada, é capaz de dar um xeque rapidamente nos concorrentes do outro lado do tabuleiro.

Efraim Filho, deputado federal e coordenador da bancada paraibana no Congresso Nacional, sai na frente. Líder do DEM na Câmara Federal, está bem posicionando entre as lideranças nacionais do partido e é um aliado de primeira hora do governador João Azevêdo (Cidadania). De cara, Efraim recebeu apoios públicos do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e Hugo Motta (PRB). Está trabalhando intensamente na busca por novos apoios declarados.

O governador ainda não se posicionou. Também não vai falar disso agora, mas a vida orgânica dos partidos exige que suas lideranças se manifestem internamente e procurem alinhar seu posicionamento para o que pensam seus filiados. A luta para conquista e manutenção do poder é intestinal e apenas deu uma trégua nesse momento de tragédia sanitária do país.

João Azevêdo, desde que saiu do PSB, fez uma jogada de aproximação com outras lideranças que não estavam nesse campo ideológico do partido do ex-governador Ricardo Coutinho. A mais significativa foi a aliança com o Progressistas, do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. Esse partido, nas mãos de Daniella e Aguinaldo Ribeiro, também tem aspirações para lutar pela única vaga do Senado no ano que vem. Seria o próprio Aguinaldo.

Em outro canto desse tabuleiro tem uma agrupamento campinense muito forte, com o ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD), que almeja mesmo é ser candidato a governador, o ex-senador Cássio e seu filho deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB), e o próprio prefeito Bruno Cunha Lima (PSD), que não vai interromper seu mandato para se arriscar numa nova disputa, mas será ouvido em todos os momentos das articulações.

O PSDB, por sinal, fez uma movimentação intensa anos últimos dias, abrindo espaço para suplente de deputado federal e acenando com a possibilidade de novas chegadas na Câmara. Começou também a intensificar os debates setoriais internamente, apontando para a diversidade e pluralidade das suas estratégias. Um movimento interno que traz sopros de renovação em seus quadros a médio e longo prazos.

Em todo esse tabuleiro, algumas peças apenas observam as mexidas iniciais. Ninguém pense que estão de fora desse jogo personagens como Lígia e Damião Feliciano (PDT), Wellington Roberto (PL), Ricardo Coutinho (PSB) e Wilson Santiago (PTB). Cada um com seu tamanho, mas com credenciais em dia para essa batalha.

MDB (Movimento Democrático Brasileiro) é quem tem que provar a força do ressurgimento, em homenagem ao seu líder que foi José Maranhão. O partido é o dono atual da cadeira do Senado Federal e abrir mão dela sem nenhuma estratégia de fortalecimento de sua participação na disputa do ano que vem seria um desastres para suas pretensões de se firmar como legenda de grande porte no Estado. A sinalização de Veneziano a Efraim Filho talvez seja mais um passo na aproximação com o esquema governista. Poderia, por exemplo, abrir espaços para emedebistas indicando um candidato a vice de João Azevêdo.

A torre do Democratas se move rápida. Ninguém ainda ofereceu contra-ataque. Mas há uma diferença milimétrica entre o xeque e o xeque-mate. Esse golpe fatal no xadrez só é aplicado no último minuto do jogo. A torre tem que ficar esperta.

Comentários

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será revelado.

publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.