Início Colunas
Guilherme Baía

Em muitas coisas a gente acha que o conhecimento formal não vai resolver nossos problemas. Ou, como dizia durante minha graduação em Administração que a “teoria, na prática, é outra.” E com dinheiro é bem assim – a ciência diz uma coisa e a prática nos mostra outra completamente diferente.

A economia monetária nos diz que usamos o dinheiro como uma reserva de valor (10 reais no bolso compra, potencialmente, duas latas de refrigerante), como unidade de conta (uma latinha custa X reais) ou como unidade de pagamento (mais fácil levar dinheiro que 3 quilos de sal, ou meia vaca).

Acontece que no nosso dia a dia o uso do dinheiro não é nada formal nem racional. Colocando outra ciência em campo que mal parece ciência, mas é uma das minhas preferidas, temos que toda a nossa decisão é tomada de modo inconsciente para depois ser racionalizada.

Funciona assim: alguém oferece para você duas alternativas. Seu cérebro primeiro escolhe para depois jogar para seu racional as razões daquela escolha que você vai defender.

E com o dinheiro é da mesma forma. Parece que a gente troca dinheiro por camisa, pela gasolina do carro ou pelo plano de saúde quando na verdade, trocamos pelos sentimentos que essas coisas nos trazem. Se não fosse assim, qualquer camisa para cobrir o nosso tronco (e não ficarmos de peito nú) serviria, mas o que eu busco numa camisa? Busco que ela me faça me sentir bem, mais forte, bonito, pareça uma pessoa mais confiável, etc.

Quando eu pago a mensalidade do plano de saúde eu não estou trocando dinheiro pelo direito de usar o tempo dos médicos, mas a sensação de que por mais um mês minha família estará protegida, que eu sou um bom pai/mãe, que eu posso quando muitos não podem e por aí vai.

Parece sujo, estranho, maldoso? Sim, mas é assim que nós somos lá no fundo do nosso ser. Quando trazemos à racionalidade, a gente já filtrou algumas coisas.

Como referência para sua leitura, no livro A Linguagem Secreta do Dinheiro, de David Krueger e John David Mann, podemos aprender com detalhes que podemos dar ao dinheiro significados como: Liberdade, Cativeiro, Segurança, Amor, Felicidade, Poder, Tempo, Autonomia, Dependência, Autoestima, Medo, Altruísmo, Ganância, Inveja, Vergonha, Oportunidade, Validação, Aceitação, Controle, Álibi e Vida.

Como lidar com isso? Questionando as nossas íntimas intenções e sendo sinceros com quem somos. Depois, trazendo à tona esses sentimentos, seremos capazes de dar nomes a eles e tratá-los, seja para a manutenção deles ou para a destituição deles da nossa vida.

Outra coisa importante para evitar que as vontades nos afetem quando a racionalidade condenaria, como ceder a um gasto quando você não tem dinheiro para, é tentar colocar do consciente para o inconsciente. É repetir a ação tantas vezes quanto necessário até que se torne algo inconsciente. Lembra como era difícil passar marcha quando você aprendeu a dirigir? E agora não é mais fácil?

Fazer isso depende de ter planos e objetivos. E repeti-los à exaustão. Eles são feitos na racionalidade, ou seja, de cabeça fria e de maneira consciente. Ter seus objetivos escritos e reescrevê-los, ter suas metas muito claramente na sua memória vai te ajudar a sempre se lembrar delas na hora que a vontade vier. É a sua consciência falando mais alto. Esse é o ponto! Tomar a decisão que vai colaborar com os seus objetivos vai ficar muito mais fácil.

Guilherme Baía

@guilhermebaia

Planejador Financeiro Fiduciário, cuja missão é entender os seus valores e ajudar você a lidar melhor com o dinheiro e atingir seus objetivos de vida.

Comentários

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será revelado.

publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.