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Josuel Gomes

Durante uma conversa com minha filha sobre os desafios que estávamos enfrentando, ela disse:“ Papai, deixe eu te ajudar! Vamos dar as mãos, pois estamos subindo uma montanha e, se um cair o outro segura, mas se formos sozinhos e cairmos será muito mais difícil, pois na vida é assim, quando caímos, se tivermos alguém para ajudar é mais rápida a recuperação”.

O filósofo Artur Schpenauer, que viveu nos anos de 1788-1860, possui a metáfora “O dilema do porco espinho”, que ensina que, durante períodos muito frios, os animais (porcos espinhos) não conseguem aquecer uns aos outros devido seus espinhos, e começam a morrer. Isso até que um grupo deles resolve se juntar, de forma que haja uma distância segura, e que garantiu que eles sobrevivessem. Ou seja, é possível viver de forma harmoniosa desde que haja respeito as diferenças.

Todavia, o que isso tem de relação com o mundo corporativo? Simplesmente tudo!

No passado, o trabalhador era pago apenas para fazer o seu trabalho. Na era industrial apenas responsável por uma parte do processo (a frase celebre era “você foi pago para trabalhar e não para pensar”, caso ele viesse trazer uma sugestão ou coisa do tipo).

A relação era cada um do lado da mesa vendo quem era mais forte e como a corda se arrebenta do lado do mais fraco, foi preciso que o Estado intervisse criando leis que pudessem melhorar e proteger a relação. Entretanto, as relação precisam de um contrato e tudo fica por força de cláusulas, que logo fica obsoletas. Sabe quando você olha para um fornecedor ou cliente, e precisa dizer: “temos um contrato?” É porque ali a relação acabou (isso vale para o contrato de trabalho e até para os casamentos, se não existe amor, não é o contrato matrimonial que vai fazer as pessoas felizes).

Na empresa é preciso repensar essa relação. Não é mais um do lado do outro, é para ser os dois de mãos dadas, olhando para o futuro e dizendo o seguinte: como podemos, juntos, achar a melhor rota para chegar ao futuro?

Assim como o GPS que procura a melhor rota para guiar você, patrão e empregados precisam dar as mãos e com os mesmos objetivos, empreenderem esforços na mesma direção.

Imagine um barco em que todos precisam remar para o mesmo destino. Se isso não ocorre, ocasiona o efeito contrário, o barco anda em círculos e o destino é afundar. A mesma coisa tende acontecer com as empresas que andam em círculos.

O gestor precisa dos seus olhos e dos olhos dos seus colaboradores para enxergar o mundo; dos seus ouvidos e dos ouvidos dos seus funcionários para escutar o mundo; das suas pernas e de todos, para caminhar.

É preciso transparência, sinceridade, responsabilidade e clareza com tudo que faz, pois não adianta falar uma coisa e fazer diferente. A narrativa e as ações precisam ser congruentes, para engajar todo time em busca das melhores soluções, o oposto não funciona. Nunca.

Imagine a situação: o gestor diz que estão enfrentando grandes desafios, que precisam reduzir custos e aparece com um carro do ano (que as vezes vale mais que a empresa). Jamais você conseguirá o apoio do seu time, porque você está falando uma coisa e fazendo outra; daí a frase: “o que você faz, fala tão alto que não escuto o que você diz”.

Assim, segurar na mão é ter realmente a consciência que a empresa tem um propósito e que todos juntos são mais fortes. Separados são mais frágeis.

Em sua organização, todos estão se dando as mãos para subir a montanha juntos?

Contato do autor: @josuelgomes
Co-autora e revisora: minha filha @vanessarm_

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