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Josival Pereira

Um dos mais graves problemas da democracia brasileira é a total fragilidade dos partidos políticos.

Com partidos bem definidos e estabelecidos, seria possível conhecer programas de governos e posições políticas com clareza, os atores políticos e como eles se movimentam, e definir responsabilidades diretas de cada um.

Na debilidade dos partidos, a política vira um vão largo de subterfúgios, articulações obtusas e, muitas vezes, escusas; mero jogo de cena e um vale-tudo inconsequente.

O povo vira massa de manobra e, na maioria das vezes, obrigado a escolher o menos ruim em vez da melhor proposta e, em consequência, a democracia vai se enfraquecendo e entrando em risco.

É o que ocorre na conjuntura atual brasileira. O presidente da República não tem um partido para chamar de seu e fica dependente de apoios poucos confiáveis e quase sempre movidos por interesses inconfessáveis. Na prática, não tem lastro para governar.

Por dever, é preciso se registrar que o próprio presidente faz parte e alimenta esse jogo político do qual agora é dependente.

Na oposição, grande parte das forças também não tem cor partidária. São oito, dez, doze siglas, não se sabe, que se movem nas sombras e que agem oportunisticamente. Agora mesmo, caciques de vários partidos compõem a CPI da Covid e juntaram força suficiente até para derrubar o presidente. Mas para quê? E quem? Não existe clareza de propósitos.

Um dos pólos da oposição tem cara conhecida. É a do PT, liderado pelo ex-presidente Lula. Vale lembrar, porém, que, em passado recente, os petistas agiram camaleonicamente para chegar ao poder e governar, aliando-se a forças díspares e sujas, sem contar as práticas de gestão condenáveis e iguais ao que já se praticava historicamente no país.

No vácuo partidário, a Justiça abusa do ativismo e opera aberta e aleatoriamente no campo da política e as Forças Armadas parecem sempre armadas para intervir.

Rasteiramente, pouco se salva, a não ser naquela vala do menos ruim.

Este é o Brasil que se move para as eleições gerais de 2022. É a democracia sem rumo.

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