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Sony Lacerda

Chamado de “fura-fila dos ricos” pela oposição, o Projeto de Lei que autoriza a compra de vacina pelo setor privado, aprovado pela Câmara Federal, pode ser encarado de várias formas. A primeira é que cria sim um abismo entre aquele que pode ter a vacina mais rápido e o que tem que esperar pelo Governo Federal, cuja chegada do imunizante tem sido a passos lentos.

Segundo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já disse em entrevistas que apoia a proposta. Para um entendedor, basta pensar que o Governo deixará de gastar um pouco mais com vacina, já que os empresários agoniados, como diria “lá em nós”, em ver os lucros definharem por conta de funcionários infectados com Covid-19 e pelo não consumo dos produtos ofertados, querem adquirir os imunizantes para vacinar esses colaboradores.

O bom da proposta é que as empresas que adquirirem terão que doar metade para o Sistema Único de Saúde. E, beneficiando o sistema público, menos gente é infectada, menos leitos serão ocupados e, quem sabe, menos caixões serão vistos nos cemitérios.

Terceiro, essa “doação” pode ajudar, é claro, a acelerar a vacinação, mas ao mesmo vai criar um abismo. É que funcionários vacinados, sem que a família o ou núcleo ao seu redor também esteja, não livra ninguém. Ou seja, voltamos ao primeiro ponto. Muitas pessoas em grupos prioritários à espera e muitos, que não estão nessa fila inicial, se beneficiando. Quem vai culpá-los por reclamarem da demora ou por quererem tomar a vacina “antes”?

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