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Ivo Marques

O futebol é um esporte que mexe com a paixão e toda paixão, se não for administrada bem, cega o torcedor, faz até com que até dirigentes deixem de enxergar os fatos e virem pessoas radicais, com uma verdade absoluta e inquestionável. Pior ainda, não aceita democraticamente que alguém pense diferente dele.

Para esses torcedores, sejam dirigentes ou não, comentarista bom é aquele que põe a culpa no juiz, ou no azar, que não enxergue incompetência, que não aponte falhas, que não alerte para a necessidade de mudança. Depois que a vaca vai para o Brejo, foi porque a imprensa é marrom, torcia para que desse errado perseguia o time, etc.

Infelizmente, aconteceu comigo neste final de semana, quando após o Botafogo completar 270 minutos no quadrangular de acesso, sem fazer um único gol e não ter conseguido vencer o Criciúma com dois jogadores a menos, eu disse que com esse ataque, sem competência para aproveitar as oportunidades criadas, dificilmente o Belo conseguiria o acesso. Não procurei adivinhar nada, afinal não tenho bola de cristal, mas me baseei no que vi em três jogos.

Meu comentário, em vídeo, foi o bastante para receber mensagens nas redes sociais, de um dirigente do Botafogo fanático e sem capacidade de entender que eu estava me baseando racionalmente nos fatos já ocorridos, para externar meu receio em relação à classificação do clube. Ele escreveu que eu estava afirmando, no meio do quadrangular, que o Botafogo já não tinha mais chances e ironizava dizendo que eu iria mudar de opinião, assim que o Belo vencesse o próximo jogo no Almeidão.

Um torcedor chegou inclusive a escrever que eu não entendia nada de futebol e que fazia parte de uma imprensa marrom, composta por derrotados e pessoas negativas. Disse até que eu achava impossível o Belo chegar lá. Com a experiência de mais de 30 anos assistindo e trabalhando no futebol, claro que sei que o que parece impossível pode acontecer no futebol, como, por exemplo, o fato do próprio Botafogo ter ganho do Flamengo de Zico e Cia, campeão do mundo no ano seguinte, em pleno Maracanã. Se jogasse depois 10 vezes iria perder todas, porque um raio não cai no mesmo lugar, duas vezes seguidas. No futebol, ele cai sim, mas uma única vez e não com muita freqüência.

Isto quer dizer que o Botafogo tem condições matemáticas de virar este jogo e de repente esse ataque passe a funcionar e até atropelar os adversários a sua frente. Mas, isto é muito pouco provável, porque o próprio Belo vem provando isto nos últimos jogos. Então, a título de hoje, não poderia dizer que os empates em Belém e Criciúma, sem nenhum gol, foram excelentes e que agora, em casa, o Botafogo será outro time e vai vencer os dois próximos jogos e ainda vencer o Ituano, em São Paulo. Se dissesse isto neste momento, não seria verdadeiro com o torcedor e me tornaria mais um cego querendo acreditar no que não viu.

Até o próprio técnico Gerson Gusmão disse a mim e a outros colegas, mais de uma vez, que o Botafogo está sofrendo com a falta de um homem de referência, e que está insatisfeito com o rendimento do ataque. Ele busca alternativas para resolver o problema. Para não ser injusto com o treinador, muito menos com a diretoria, tenho que dizer que bons atacantes foram contratados, mas infelizmente sofreram contusões graves, e por isso, não puderam mais ser uma opção para o treinador.

Sou pago para analisar com frieza os fatos e não me basear apenas na fé. Quero muito que o Botafogo consiga o acesso, para termos grandes jogos aqui, para que o futebol da Paraíba cresça, como já cresceu em alguns Estados da região. Vai trazer alegria para o torcedor e vai movimentar João Pessoa, aquecer a economia local e abrir mais o mercado para a imprensa.

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