Quando olhamos o panorama geral da atividade partidária de João Pessoa, é fácil perceber como o debate político é forte e se sobrepõe aos projetos.
Ao longo dos últimos meses, na condição de jornalista da cidade, narrei intermináveis acontecimentos.
Os conflitos da direita que culminaram lá atrás com a formação do triunvirato, depois a chegada de Marcelo Queiroga e consequente saída de Nilvan, indo para Santa Rita e a formação da tal chapa Quero, Quero, com bastante protagonismo do Pastor Sérgio Queiroz e os seus incontáveis anúncios para não anunciar nada.
Também teve o PT com prévia, sem prévia, com candidatura, sem candidatura, com Luciano e sem Luciano na disputa, com a preferência interna por Cida e agora com pesquisa para decidir tudo isso.
A quadra política da capital ainda apresentou denúncias que envolvem a centro direita e a centro esquerda.
Perceberam o que argumentei no início da coluna?! Sobra moído e falta atenção com o que mais interessa: João Pessoa.
Essa é uma constatação irrefutável. Nenhum partido começou a debater a cidade de verdade, a João Pessoa real de quem sai de casa cedo e chega tarde, de quem enfrenta trânsito lento, ruas lotadas e recentemente também alagadas.
Pouco se fala do ônibus cheio, apertado, trajeto longo, insegurança alimentar, falta de moradia, desemprego e tantos outros desafios que essa cidade tão querida apresenta.
Alguns políticos que lerem esse texto, vão dizer talvez que ainda está cedo, que existe tempo suficiente.
É bem provável que eu também seja chamado de chato por não compreender as dificuldades que políticos também atravessam. Se isso acontecer, quero que saibam que discordo.
Não existe tempo curto que dê conta da complexidade de projetar a capital dos paraibanos para o futuro em várias áreas. Exceto, que se pretenda fazer isso, sem a atenção devida.
Me permitam sem presunção, com todo respeito, afirmar que no debate raso, não vamos resolver muita coisa.
Eu fico estarrecido com algumas análises que escuto, feitas inclusive, por gente que deseja governar. Uma delas, é persistir na ideia, de que essa cidade precisa ser projetada mais para carros, do que para pessoas. E por aí vai.
Por essas e outras razões, que evitarei expor para não deixar a coluna do tamanho de um livro, que insisto na ideia de menos “moído político” e “mais João Pessoa”.
Não quero ser grosseiro, mas tem gente aí no meio, que se não cuidar em estudar sobre esse capital, vai passar vexame na campanha. Quem avisa, boa coisa faz. E eu estou a avisar.
Eu de verdade, compreendo a dificuldade de quem exerce a atividade política. Requer dedicação e esforço, capacidade de articular, jogo de cintura para se manter competitivo e vencer. Mas nada disso, pode ser mais importante do que se importar com quem de fato é a razão de tudo, o povo. Se isso se perder, todo o mais fica sem sentido.
Pensem nisso como uma boa reflexão e não como uma afronta. Eu admiro os bons políticos e a boa política, que essa capital também tem, apesar dos pesares.