
Há muitos grandes autores paraibanos esquecidos, nos últimos tempos, aqui no nosso estado, embora sejam reconhecidos lá fora e por grandes nomes da crítica literária nacional.
Tenho me empenhado, firmemente, em destacar esses nomes aqui, na coluna, já havendo feito isso em relação a José Vieira, Figueiredo Agra, Permínio Asfora, entre outros. Agora, chegou a vez do grande poeta Silvino Olavo.
Uma das vozes mais destacadas do Simbolismo paraibano, Silvino Olavo não deixou de pôr em prática na sua obra os valores mais usados por aquela escola, como o uso frequente de símbolos, a expressividade sonora, o pessimismo e o sonho; atmosfera comprovada pelo soneto Ária do Destino, transcrito ao final deste texto.
Como não poderia deixar de ser, o grande modelo do paraibano é o catarinense Cruz e Souza; bem como os simbolistas franceses; daí a poesia amargurada, inquieta, porém resignada e profundamente interiorizada.
Silvino Olavo, que viveu grande parte da vida em manicômios, nasceu em Esperança, no dia 27 de julho de 1897 e morreu em 26 de outubro de 1969, em Campina Grande.
Se a morte é o prologo da vida… e a vida
é essa corrida infrene para a morte,
deixemos ir… rolar, á luz da Sorte,
a nossa náu, florida ou não florida.
Deixemos, sim! vogar a náu, tangida
por vento sul ou pelo vento norte;
e, indifferentes, pouco nos importe
nos leve para a Morte ou para a Vida.
Sejamos como os cysnes sobre as aguas:
Tangendo o carrilhão das nossas maguas,
modulemos, sonhando, um claro hymno…
O nosso canto para o céu se evole;
e a nossa vida, como o cysne role
Sobre as aguas correntes do Destino.
(Cysnes. Primeira edição. Sem data e sem editora. Pág. 19).
*Na transcrição do soneto, mantivemos a grafia original do texto inteiro; não somente da palavra aria.
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