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Hermes de Luna

O agravamento da crise sanitária no país, quando 19 estados têm mais de 80% dos leitos de UTIs ocupados com pacientes em tratamento da COVID 19, desandou mais uma vez para o debate político/ideológico. O jogo de empurra não interessa a quem tem parentes sofrendo com a enfermidade. Serve apenas para quem pensa no embate partidário do ano que vem. Governadores e prefeitos tentam se eximir de culpa pela situação que se verifica na maioria dos estados. Eles têm que assumir a responsabilidade por esse desastre. Exemplo vem de casa e eles pecaram. Deram uma demonstração, desde a campanha do ano passado, de como se mobilizar para um abismo escuro, incerto, que pode levar à morte os cidadãos brasileiros.

O que se viu durante a campanha político do ano passado foi indecente. Prefeitos aconselhando a população a ficar em casa, mas à noite fazendo passeatas, carreatas, manifestações com paredões de som e se abraçando com aliados, dançando com correligionárias, aglomerando sem limites. Os gestores deram mau exemplo e isso incentivou os cidadãos comuns a descumprir decretos e outros documentos legais que falem em restrições de mobilidade.

Enquanto a campanha corria solta, sob o olhar impassível dos gestores, hospitais de campanha e leitos exclusivos para atendimento dos doentes eram desmontados.

A desobediência foi crescendo. Para refrescar a memória, no dia 15 de outubro do ano passado, o juiz da 76ª Zona Eleitoral, Adhailton Lacet, determinou que carreatas, passeatas, caminhadas e outros atos políticos que possam causar aglomerações estavam proibidos em João Pessoa. A informação foi confirmada no programa Correio Debate, da TV Correio. Mesmo diante da determinação da autoridade judicial teve quem fosse para as mobilizações e incentivassem as aglomerações. Abraços são abraços, nas ruas ou dentro de clubes e sedes partidárias.

A gente já sabe que a campanha deixou uma faixa de luto em segmentos políticos. Esse luto foi se avolumando entre população, com a chegada das festas de fim ano e, já em 2021, com o período carnavalesco. Os gestores tomaram medidas tímidas para conter a migração interna de turistas para áreas onde a folia aconteceu, disfarçadamente, em condomínios, casas de veraneios e até hotéis e resorts. Faltou autoridade para, por exemplo, impedir aquela procissão de veículos que engarrafou a PB 008, com foliões indo aproveitar os dias de Momo nas praias do Litoral Sul do Estado.

A Paraíba pode incluir nessa conta do agravamento da pandemia o afrouxamento da vigilância desse vai-e-vem em estados vizinhos. Flagrante mais imoral foi o registrado em Pipa (RN). Na praia turística, milhares de paraibanos foram às ruas lotadas, as festas rolaram soltas e sem um piu do governo de Fátima Bezerra (PT). A conta chegou. O Rio Grande do Norte tem mais de 95% dos leitos de UTIs ocupados por casos de Covid 19. Parte dessa fatura também será paga pelos hospitais públicos e privados paraibanos.

Líderes dão bons exemplos aos liderados. Líderes tomam atitudes que visem um bem maior da coletividade. Assistimos agora uma corrida desenfreada e quase desorganizado, sem comando centralizado, para compra de vacinas. Estados e municípios vão ter que assumir a responsabilidade civil por eventuais efeitos colaterais das vacinas, sem nem saber de onde elas virão e como serão fabricadas. Ninguém sabe a que preço e em que volume serão compradas todas as doses.

Gestores – presidente da República, governadores e prefeitos – têm que assumir a culpa por grande parte do pior período que vivemos da pandemia. Ninguém é menos culpado e ninguém é culpado sozinho. Os exemplos deveriam ser tomados lá atrás. A falta da consciência de parte da população é explícita, mas envergonha a todos a falta de responsabilidade de quem deveria liderar todos os entes federativos.

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