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Hermes de Luna

É como nos fosse aplicada uma dose de vacina para uma esperança que queríamos sentir na mudança de rumos da política do Ministério da Saúde. Não que o novo ministro faça milagres e, de uma hora pra outra, nos revele a mágica para debelar a pandemia no país. A confirmação do nome do cardiologista paraibano Marcelo Queiroga, em substituição ao general Eduardo Pazuello, de certa forma, imuniza por um prazo de validade relativamente curto essa importante Pasta da polarização política.

Podemos tomar como exemplo a repercussão política dentro da própria bancada paraibana. Mesmo os que integram a base de oposição ao presidente Jair Bolsonaro no Congresso Nacional fizeram votos de confiança no nome do novo ministro. As razões são simples: é um paraibano, é um médico, tem jogo de cintura para fazer política e manter um canal aberto com a imprensa, que não poupou nenhum dos seus três antecessores.

Essa lua de mel de Marcelo Queiroga com imprensa e políticos pode durar pouco, é verdade. Mas a grande aposta que é feita é no talho natural do escolhido para a articulação de bastidores. Ele tem experiência profissional de 30 anos e ganhou respeito de toda a classe médica do país. Sua credencial como presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia também o coloca numa posição de destaque em seu ramo de atuação na medicina.

O que mais interessa para os brasileiros é a gestão da Saúde. Quem prestou atenção nas falas de Bolsonaro e Pazuello pôde perceber que eles afinaram o discurso antes da mudança. Já fez um diferencial para as substituições anteriores. O presidente agradeceu o general pela gestão e pela negociação para a compra de vacinas. O ex-ministro, ao aparecer ao lado de Queiroga para apresenta-lo como o novo gestor, complementou afirmando que agora é hora do militar abrir espaços para quem tem expertise no campo médico, para atacar de forma mais sistemática a proliferação do vírus.

Muitos acham que Queiroga arrisca o prestígio do seu nome aos aceitar o convite e assumir o Ministério da Saúde. Tudo é uma questão de ângulo da crise. Quem entende dessa forma vê o copo meio vazio. Para quem enxerga o copo meio cheio, o paraibano chega num instante oportuno, onde os próprios governadores, como João Azevêdo (da Paraíba), apostam numa guinada na política de vacinação a partir desse mês, com a chegada de milhões de vacinas e a confirmação de acordos de compras com outros laboratórios que ainda não colocaram seus imunizantes no mercado brasileiro. Se essa curva de imunização em massa for confirmada positivamente, o copo de Queiroga vai esborrar. Ele vai assumir todo o ônus desse momento renovador para milhões e milhões de cidadãos comuns.

Tudo depende de como o presidente da República vai permitir o trabalho do ministro. Marcelo Queiroga precisa de autonomia, confiança do núcleo duro do governo e de condições mínimas para o seu trabalho. Feito isso, ele pode impor uma decepção medonha a quem torce sempre para que tudo dê errado, em nome da política – mesmo à custa do prolongamento dessa tragédia vivida no Brasil.

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