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Josuel Gomes

Como falei na coluna anterior, sou o terceiro de uma família de nove filhos, vindos dos limites da cidade de Caiçara, ou como gosto de falar “no interior do interior de uma cidade do interior”. Meu pai era um agricultor e logo cedo aprendi o que é administrar uma empresa. Mesmo sendo na lavoura, vez por outra contratavam alguém para ajudar. Tínhamos fornecedores, pois comprávamos ferramentas de trabalho e insumos agrícolas; ainda tinha o pagamento do sindicato rural e outros órgãos fiscalizadores. Ou seja, mesmo sendo um trabalho rural, no final não deixava de ser um empreendimento na sua forma mais tradicional. Certo dia, quando ainda tinha 8 anos, fui buscar água em casa para matar a sede de meu pai e dos trabalhadores. Bebíamos água de tanque, que juntava durante as chuvas (aquela água “boa” com gostinho de lajedo). Passando pela linha do trem, vi vários trabalhadores da rede férrea e um deles perguntou se a “água era para vender”. Foi aí que algo despertou em mim. Eu, com meus 8 anos, o quê você acha que falei? Se você pensou que “sim”, acertou! Mas não foi só um “sim”, foi um “claro que sim”, em voz alta e com muita convicção. Eram muitos, e fui pegar mais e mais água; acho que fiz 5 ou 6 viagens, e acabei esquecendo meu pai no roçado com sede.

Finalmente, encontrando com ele, depois de umas duas horas, percebi que meu pai estava bastante apreensivo, e não demorou a perguntar: “O que aconteceu?”. Animado, como apenas um garoto de 8 anos poderia estar por ter feito sua primeira venda, disse assim que cheguei “Papai, estava vendendo água”, e ele de imediato, de maneira enérgica, mas serena disse: “O quê? Você vendendo água?”, eu falei “Sim, vendendo água. Uai! Olhe aqui o dinheiro”, e assim mostrei-lhe o que tinha ganhado. Ele de imediato disse um pouco surpreso “Água não pode ser vendida, pois é uma coisa divina. Deus não cobra pela água que coloca na Terra”, e sem entender eu tentei argumentar contra esse pensamento, mas então ele disse finalizando “Você não pode vender”. Meu pai mandou eu voltar lá e devolver todo dinheiro da minha primeira empresa. Mas aí vem a pergunta: era uma empresa?

Vamos analisar?
Tinha produto? Tinha. Logística? Também. Valores envolvidos, embalagem e mão de obra? Sim, para todas as perguntas. E ainda mais uma: tinha um “governo”? E a resposta é sim, tinha! Meu pai que fazia a legislação, regulamentava e acabou até quebrando a minha empresa em apenas duas horas.

Você pode se perguntar o que esta história tem de conexão com o mundo corporativo, e eu respondo: tudo.

Pegue uma criança e um adulto, elas têm os mesmos órgãos? Duas pernas, dois braços, dois olhos, uma cabeça, um coração… São iguais, uma criança e um adulto. Assim é nas organizações, elas são iguais, mas o que muda de uma para outra é o tamanho da estrutura.Por isso, não existe pequenas e grandes empresas, o que existe são pequenas e grandes estruturas. Assim, mesmo que sua estrutura seja pequena, pense em 100, 1000 ou 10.000 iguais, é assim que funciona. Por exemplo, o sistema de franquias, você monta e já monta um modelo que pode ser replicado. Ouvi dizer que no dia que o fundador das Farmácias Pague Menos inaugurou a primeira farmácia em Fortaleza, ele disse: “Hoje está sendo inaugurada a maior rede de farmácias do Brasil”. Ou seja, ele não se reduziu a um pequeno empresário, na sua mente, ele já era o dono de uma pequena estrutura, mas de grande potencial. Dessa forma, não existe pequenas empresas, e sim empresários de mente pequena, que muitos têm medo de crescer para ter de sair do simples, mas enchem a boca para dizer “Sou um pequeno empresário”. Portanto, a partir de hoje não diga isso, prefira dizer “Tenho uma pequena estrutura” e acrescente ainda “Mas que em breve será uma grande estrutura”.

Por conseguinte, fala-se tanto em pequenas empresas pois foram criadas para facilitar o acesso a alguns serviços, como Sebrae e linhas de créditos diferenciados: elas facilitam a forma de arrecadar os impostos, pois independentemente do tamanha da estrutura você tem: recrutamento, seleção, integração, avaliação, demissão, férias, décimo, e-social, entre outros. Com isso, uma empresa é um conjunto de processos e indicadores, não importa o tamanho da sua estrutura: ou você tem a empresa na mão ou não tem os controles que são necessários.E na junção de tudo isso que já foi dito, surge um verdadeiro herói, que é o gestor de uma pequena estrutura, pois ele precisa fazer tudo, literalmente chutar e cabecear, pois quando estamos falando de grandes estruturas temos equipes que podem assumir responsabilidades e papéis, é um CEO, é um diretor, gerentes, estre outros. Mas na pequena é preciso fazer um pouco de tudo. E é aí que se explica o porquê de cada 10 apenas 4 sobreviverem depois de 5 anos. Para evitar que isso aconteça, invista na gestão do seu negócio. Uma coisa é empreender, e outra coisa é fazer a gestão do seu negócio. 

Por fim, reflita: uma criança e um adulto têm os mesmos órgãos, o que muda é o tamanho.Assim, são as empresas, grandes e pequenas estruturas. Por isso, independente de qual seja a sua estrutura, faça-a grande e próspera, agindo, sempre, como um grande empreendedor e gestor. Vai fazer toda a diferença!!

Instagram: @josuelgomes

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