Quem não se lembra da famosa coleção Vaga-lume, que fez estrondoso sucesso na literatura infantojuvenil? E quando se fala nessa coleção, qual o nome que nos vem, imediatamente, à cabeça? O de Marcus Rey, claro!
Pois é…Passou quase despercebido da imprensa o centenário de nascimento (17/02/2025) do consagrado escritor. Consagrado, sim, embora um tanto quanto esquecido. E, quando lembrado, é como se fosse apenas um autor de livros da linha infantojuvenil, o que não é verdade.
Você, leitor(a), lembra-se da famosa adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”, para a TV? Ou de Vila Sésamo? Marcos Rey escreveu muitos dos episódios.
Você deve se lembrar da série “Memórias de um Gigolô”. Também é de Marcus Rey; adaptação de um livro homônimo, de autoria dele.

O autor em questão publicou 40 livros, que venderam mais de 5 milhões de exemplares; fez roteiro para cinema e de séries infantis. Não caiu no esquecimento, graças à já citada coleção Vaga-lume, adotada em escolas do país inteiro. Marcos era, sem dúvida, o carro chefe da coleção, sendo que a mais conhecida obra dele nela foi “O Mistério do Cinco Estrelas”, que vendeu 2,5 milhões de cópias, em sucessivas edições.
Infelizmente, o escritor não é lembrado quando se trata da produção para adultos. Dela, podemos destacar “Ópera de Sabão” e “Memórias de um Gigolô”, verdadeiras raridades nas livrarias.
Foi um escritor injustiçado. Em depoimento para a revista Veja, em 1978, o cronista Carlinhos de Oliveira assinala: “O escritor que, no momento, é o mais maltratado, e que eu acho o melhor de todos, chama-se Marcus Rey”.
A ficção de Rey focaliza sobretudo a vida noturna, desemprego, com dramas ambientados em São Paulo, terra onde nasceu e morreu (em 1999, aos 74 anos).
Como se não bastasse, escreveu, por algum tempo, roteiros para filmes eróticos, que, segundo ele, garantiram o sustento.
Marcos Rey, que se chamava Edmundo Donato, era irmão do também escritor Mário Donato, autor, entre outras obras, do romance “Presença de Anita” (1948).