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Sony Lacerda

O que você faria se uma cidade inteira da Paraíba fosse “eliminada”, ou quase duas, por mortes pela Covid-19, por dia? Ainda assim você teimaria em “não ceder” ao toque de recolher ou às medidas de restrição de atividades não essenciais nos finais de semana? Você ainda diria que é uma “gripezinha”, e que se adoecer tem um leito à espera? Se você disse sim, comece a repensar a doença, os efeitos e olhe ao seu redor.

Nesta terça-feira (16), o Brasil bateu recorde de mortes pelo novo coronavírus: 2.798. Poderia muito bem ser a população inteira do município de Lastro, cidade do Sertão da Paraíba, com 2.718 habitantes. Poderia ser São Domingos do Cariri, com população estimada em 2.630 habitantes. Também poderia ser Quixaba, próximo a Patos, com 1.983 habitantes.

Se você ainda não se conscientizou da gravidade dessa doença, pense nos municípios de São José do Brejo do Cruz, no Alto Sertão da Paraíba, e em Parari. Juntas, as duas cidades têm 3.569 habitantes. Se subtrairmos as mortes computadas ontem, em todo o País, restariam apenas 771 moradores. Você pode pensar: “mas que comparativo tosco”. Não importa. Se fizer você refletir, já valeu a pena.

Se ainda assim você não se convenceu. Pense nas pessoas – muitas vezes da sua família – que choram seus mortos, nos profissionais de saúde esgotados, e que não existe um leito para cada habitante desse Estado. É impossível. É muito fácil dizer para o outro: “eu não estou morrendo, então, estou nas ruas”.

Eu não defendo lockdown, a não ser que seja a última saída possível. Mas defendo que é preciso fazer concessões, abrir mão de alguma coisa, do contrário, não sairemos dessa ilesos, aliás, nossa “imunidade” já se foi há tempos. As pessoas precisam fazer a sua parte. Você vai me perguntar: e o governo, e as prefeituras? TODOS temos que fazer a nossa parte. Não vai importar de nada o “lazer” se você não tiver com quem compartilhar depois.

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