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Sony Lacerda

Um amigo me chamou a atenção para post publicado no Blog, sobre voto impresso “auditável”, em discussão no Congresso Nacional e cujo discurso é comandado pela ala parlamentar bolsonarista como se o voto computado na urna eletrônica já não o fosse. Ele tem razão. A urna eletrônica é auditável.

Ora, se os políticos eleitos em 2018 não questionaram a vitória obtidas nas urnas, questionar esse processo não me parece sensato, para não dizer sem lógica. A única diferença do que já ocorre hoje, onde um boletim de cada urna é gerado ao fim da votação, é que a cada voto, o eleitor poderá conferir, sem pegar, o voto computado.

Aí, você imagina com o voto impresso um cenário de filas – que já temos -, de questionamentos nos locais de votação. Isso é fichinha perto de pegar esses votos “impressos” e passar por recontagem. É retroceder aos tempos dos “currais eleitorais”. Ou do tempo em que se sumiam as cédulas, outras apareciam rabiscadas, imaginem com a tecnologia usada para fraudes. E, claro, a quebra do sigilo e as implicações que virá com ela.

Parece até que os que defendem não estão seguros com relação à uma possível vitória. Querer retroceder processos, para tanto, é admitir que já entrarão derrotados, ou que a opção de voto não pode ser usada por uma minoria. O voto é individual. Parece até uma pesquisa eleitoral, tem que ganhe, tem que perca. O que ganha só reclamará se estiver perdendo.

Onze partidos decidem não apoiar o voto impresso

No podcast “Supremo na semana”, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que a implantação do voto impresso não contribui para fortalecer a democracia brasileira. A discussão sobre o processo democrático de escolha é sempre importante, disse ele, mas para aprimorar, não retroagir.

“Não me parece que o voto impresso possa vir a contribuir para a democracia porque nós corremos um grande risco de quebrar o sigilo na votação. E isso não é possível. Nós temos, obviamente, que discutir, e estamos discutindo não só no Tribunal Superior Eleitoral, mas no Supremo Tribunal Federal também. Mas se você me perguntar: é necessário, hoje, para aprimorar a democracia o voto impresso? Não é”, afirmou o ministro, que também integra o TSE.

Convido vocês a pensarem sobre o tema.

Comentários

  • Benedito Borges disse:

    No mínimo teremos certeza da lisura do pleito. Será um ganho da democracia, haverá transparência. Não sei o que causa o medo.

  • Anderson disse:

    Pelo jeito não leu o projeto. Ninguém vai levar a impressão para casa, pois vai ter uma urna física onde será depositado o papel. E outra, nenhum sistema é 100% seguro, logo essas urnas não são confiáveis como vc diz ser “auditável”. E se a programação inicial estiver alterando os votos, quem me garante a segurança dessa eleição??

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