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Professor Trindade

     Engana-se quem pensa que texto correto é apenas aquele em que não há erro gramatical.

     Às vezes, um texto está gramaticalmente correto, mas tem problemas de coerência e coesão; é ininteligível ou apresenta ambiguidades.

     Observe, por exemplo, este texto:

     “CRUB discute o papel da pesquisa e da pós-graduação em Joinvile

     O papel da pesquisa e da pós-graduação no contexto das instituições de Ensino Superior foi o tema debatido durante a 71ª Reunião Plenária do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), realizada durante os dias 14 a 16 de março, em Joinvile (SC). (…) A reunião serviu para que reitores de todo o país pudessem discutir (…) o papel da pesquisa e da pós-graduação nas universidades.”

     Observa-se que o título da matéria, da forma como foi redigido, contém ambiguidade. Quem lê somente o título tem a ideia de que o CRUB discutiu apenas o papel da pesquisa e da pós-graduação da cidade de Joinvile; quando, na verdade, o encontro é que se deu em Joinvile.

     Para desfazer tal ambiguidade, o título deveria ser redigido de uma das seguintes  maneiras:

     CRUB discute, em Joinvile, o papel da pesquisa e da pós-graduação.

     Ou

     CRUB discute o papel da pesquisa e da pós-graduação, em Joinvile.

     O responsável pelo erro estilístico é uma ideia errônea que se tem (e difundida por muitos professores), infelizmente, de que estando o adjunto adverbial no final da frase a vírgula é opcional. Não é bem assim! Quando o adjunto adverbial vem no fim da frase, pode-se dispensar a vírgula; o que é bem diferente de ser “opcional”. Esse “opcional” tem limite: a clareza do texto.  Portanto, às vezes é necessário colocar a vírgula, mesmo o adjunto adverbial estando no fim da frase.

     E POR FALAR EM ADJUNTO ADVERBIAL…

     Os gramáticos costumam afirmar que complemento é obrigatório e adjunto, não. Isso não verdade.

     Observe a seguinte frase:

     Hoje, irei ao cinema.

     Todos os elementos dessa frase, excetuando-se, é claro, o verbo, são adjuntos adverbiais.

     Alguém poderia afirmar: “Mas ‘ao cinema’ não está complementando o verbo ir? Não seria objeto indireto?”. Está, mas não é objeto; e sim, adjunto. Esse tipo de adjunto adverbial é o que denomino de adjunto adverbial completivo.

     Em outras palavras: há adjuntos adverbais que complementam o verbo. Os gramáticos – salvo Rocha Lima – chamam esse tipo de adjunto (inclusive Celso Cunha, o maior deles) apenas de adjunto adverbial, o que traz dúvida para quem viu os mesmos gramáticos afirmarem que adjunto não complementa.

     É vivendo e aprendendo… Não, leitor?

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