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Ivo Marques

Concordo plenamente com a presidente da Federação Paraibana de Futebol, Michelle Ramalho, quando disse que o futebol é uma das atividades nesse País, onde há um grande rigor para obedecer os protocolos sanitários e evitar assim a proliferação do coronavírus. Afinal, qual a outra profissão que exige testes antes de executar o trabalho? Todos os envolvidos em uma partida de futebol são testados, antes de entrar em campo: jogadores, árbitros, auxiliares, comissão técnica etc.

A imprensa nem sequer pode ter acesso aos jogadores. Então, para mim, da forma que está sendo executado o futebol no País, o risco de contágio é muito pequeno em relação aos transportes, aos shoppings, as lojas, escritórios e repartições, alguns ambientes fechados no ar condicionado.

A discussão é grande para se decretar, ou não, um lock down. Tão grande que não se chega a um consenso. A questão econômica fala mais alto e tem o apoio do presidente da República e dos empresários, mas a classe trabalhadora é quem está pagando o pato. A doença vem fazendo mais vítimas a cada dia, independentemente da classe, cor ou religião, mas com certeza o número de óbitos é bem maior nas classes mais humildes de nossa sociedade.

O perigo de um colapso no sistema de saúde é eminente, mas por trás também faltou um planejamento para lidar com o problema, lá trás, quando tratamos a covid19 como se fosse uma gripinha, e quando o mundo se reunia em torno da fabricação de vacinas e a compra delas, o Brasil nem estava aí para o problema.

Aliado a isso, temos o comportamento terrível e irresponsável da nossa população, que insiste em se aglomerar, em se divertir como se nada tivesse acontecendo. É só ir na praia, nos shoppings, nos bares e restaurantes para ver. O movimento diminuiu, mas nunca esteve perto de acabar.

Os empresários gritam por falência, os trabalhadores gritam pela perda de seus empregos e as famílias choram pelas perdas de seus entes carentes. Os Governos insistem em medidas restritivas, e o povo insiste em não cumprir. Onde vamos chegar? Só sei que no momento estou pessimista e acho que ainda não atingimos o fundo do poço, e que ele pode ser ainda bem mais fundo do que estamos vivenciando.

Dizer que o futebol não há risco seria uma mentira. Até dentro de casa há risco de se contaminar. Se parar tudo, claro que o futebol tem de parar, não é uma atividade paralela. Porém, se outras atividades continuam abertas, o futebol também não pode parar.

Alegam que o futebol não é uma atividade essencial, concordo, mas por outro lado é uma das mais seguras, e que mais cumpre os protocolos. Se olhar também pelo lado econômico, os nossos clubes estão entrando em estado de falência, sem o público nos estádios, imagina se parar geral.

O futebol emprega milhares de pessoas neste país, gente que depende dele para viver, como em qualquer outra atividade econômica. Além do mais, os problemas psicológicos vêm aumentando na população enclausurada, e o futebol pela televisão tem sido uma das poucas diversões. Porque parar o futebol e deixar outras atividades funcionando? Não faz sentido apenas o futebol ser penalizado.

Concordo que o início da Copa do Brasil neste momento é preocupante, porque é uma competição diferente dos estaduais. Há um deslocamento de atletas e comissões técnicas pelo País inteiro, entrando e saindo de avião, aeroportos e hotéis. Neste acaso, acho que a CBF poderia segurar um pouco mais para começar, mas as competições estaduais ou regionais não são assim. O número de viagens é bem menor, e a maioria com percursos pequenos. Não faz sentido parar e deixar por exemplo os ônibus superlotados de trabalhadores se aglomerando para trabalhar.

Nunca é demais lembrar que, além dos descasos do Governo Federal para com o problema, é preciso se dizer que 3 acontecimentos contribuíram demais para chegar onde chegamos. O primeiro deles foi a eleição para prefeito e vereadores, onde foram registrados milhares de aglomerações por todo País, mas não vi nenhum político reclamar dessa situação. Na verdade, vi morrer alguns logo após as eleições.

Depois vieram as festas de fim de ano, quando o réveillon não deixou de ser o réveillon para muitos brasileiros. Por fim, veio o carnaval, o que faltava para o número de casos da doença estourar de vez. As praias lotadas, ninguém com máscara e todo mundo se agarrando. Boa parte dessas pessoas está hoje nas UTIs e a outra parte é composta por pessoas contaminadas por esses foliões.

Não dá para negar a gravidade do momento, mas também o futebol não pode pagar a conta sozinho. Quando um bando de lisos senta na mesa de um bar ou restaurante, a conta é rachada. É preciso pensar melhor numa solução global e não apenas em algumas atividades. Assim como nossa economia, o futebol também está agonizando.

@blogdoivomarques

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