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Josival Pereira

Três pesquisas de opinião divulgadas nos últimos dias, sendo duas esta semana, mostram cenários muito parecidos em relação à disputa para presidente da República. As pesquisas foram realizadas pelos institutos Paraná Pesquisa, Atlas e Ipespe/XP.

Não se trata apenas de confirmar que a tendência é de polarização entre Bolsonaro e Lula. Parecidos, rigorosamente, são os números das três pesquisas. Em duas delas, Lula aparece na frente. Na XP/Ipespe apenas numericamente, mas empatado tecnicamente dentro da margem de erro (42% a 40%). Na pesquisa Atlas, Lula aparece à frente fora da margem de erro (45,1% a 41%). Já no levantamento da Paraná Pesquisa quem aparece à frente é o presidente Bolsonaro, mas dentro da margem de erro (42,5% a 39,8%).

As pesquisas apontam claramente que entre os dois principais postulantes à Presidência da República ainda não existe um favorito.

Revelam que a sociedade se mantém contaminada pelos temas dos discursos dos últimos anos e que a divide entre conservadores e progressistas, que continuam representados por Bolsonaro e pelo PT, agora com o seu líder maior (Lula) na disputa.

Sim, os cenários são de empate técnico, mas como essa disputa pode evoluir?

São muitos e complexos os vetores da questão para se arriscar prognósticos. Todavia, é possível afirmar que muito vai depender da habilidade de cada um dos contendores e do poder de comunicação e mobilização das forças envolvidas de cada lado.

Os pontos fracos do presidente Bolsonaro são a gestão da crise da pandemia e a popularidade da gestão, que não é boa. Mas ele ainda tem tempo e pode reverter a situação, especialmente se conseguir vacinar a população bem antes das eleições.

O grande problema de Lula é a rejeição ao PT e a imagem de corrupção que carrega do seu governo, configurada no mensalão e no escândalo da Petrobrás.

Bolsonaro conta com o poder do poder (a máquina) e boa capacidade de comunicação e de mobilização, além da possibilidade de arregimentação de uma grande força política com base no apoio do centrão.

Lula conta com o desgaste que a crise da pandemia pode colar em Bolsonaro (a CPI pode ser essencial nisso), experiência política, bom poder de comunicação e de articulação, neste caso, se conseguir executar a estratégia de atrair partidos de direita e de centro e isolar Bolsonaro em legendas mais radicais).

Registre-se, contudo, que, correndo por fora, os partidos da direita democrática ou de centro-direita podem, ainda, alterar este cenário. Nada fácil, mas podem. Se não surgir nada de novo, o país emergirá numa intensa batalha política ininterrupta de 15 meses e viverá uma disputa sem precedentes.

Será que o Brasil merece?

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