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Josival Pereira

O mundo da política brasileira realmente não tem limites.

Pasmem! O presidente da Federação dos Municípios da Paraíba (Famup), George Coelho, iniciou uma cruzada para incluir os prefeitos e vice-prefeitos nos grupos prioritários para a vacinação contra a Covid-19.

Os prefeitos seriam comparados aos profissionais de saúde, índios, idosos acima de 60 anos e as pessoas com comorbidades, os mais vulneráveis e que mais morrem de Covid.

Existe uma luta desesperada pela inclusão de outros grupos. Professores, segurança, etc, mas nunca se imaginava que os prefeitos e vice-prefeitos quisessem entrar nesta lista.

Os argumentos de George Coelho para a inclusão são dois: os prefeitos estariam na linha de frente nas ações contra a Covid-19 e ainda o de que a democracia estaria sendo afetada com a morte de alguns gestores – e a ameaça de morte -, já que não se cumpriria o resultado das urnas de 2020.

Coelho aproveita e refuta a acusação de que a campanha eleitoral não seria responsável pelo avanço da pandemia, uma vez que à época teriam pedido o adiamento do pleito.

O pedido da Famup e os argumentos de seu presidente são aberrações estúpidas.
Primeiro, por uma razão simples: é totalmente desnecessária a inclusão dos prefeitos e vice-prefeitos nos grupos prioritários.

Os prefeitos e vice-prefeitos com mais de 60 anos, que são muitos, já estão vacinados ou prestes a receber a vacina e aqueles que tiverem comorbidades – diabetes, hipertensão e obesidade (e também são muitos, por razões óbvias) – também vão se vacinar em breve.

Sobram os prefeitos e vice-prefeitos jovens, sadios, e certamente com instruções suficientes para seguirem as recomendações da ciência, se cuidarem e evitarem o coronavírus.

O outro argumento é despudorado. É muito caradurismo se apoderar de uma alegação de defesa da democracia para incluir prefeitos e vice-prefeitos na relação de grupos prioritários de vacinação quando a Covid está matando mais de 3 mil pessoas por dia e o país inteiro clama por agilização no programa de imunização.

Por tudo, essa proposta de mais um privilégio político é totalmente desavergonhada.

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