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Josival Pereira

Qual legado o político José Maranhão deixa à história da Paraíba e do Brasil?

Debate neste sentido, certamente, deve estar ocupando a mente de jornalistas, historiadores, políticos e boa parcela da população. Natural, então, que a longa trajetória de Maranhão esteja sendo passada em revista e seus feitos revirados.

Procura-se, sem dúvida, uma obra singular, um projeto excepcional executado, uma edificação que tenha mudado a vida do Estado. Haverá substância a ser resgatada. Mas não serão as obras de pedra e cal que marcarão a história de Maranhão.

Finque-se que o grande legado de José Maranhão à história serão sua profunda vocação democrática e sua inefável relação com as urnas.

O político paraibano, que a terrível Covid-19 abrevia sua passagem neste início de 2021, exerceu nada menos do que 48 anos de efetivos mandatos populares, conferidos diretamente pelo voto popular. E não foram mais porque a violência da ditadura militar lhe subtraiu 10 anos de direitos políticos, após cassação de mandato de deputado estadual em 1969. Perdeu ainda mais dois anos porque, apesar de reabilitado em 1980, só houve eleição em 1982.

Maranhão não encurtou caminhos: conquistou nas urnas quatro mandatos de deputado estadual, três de deputado federal, dois de governador e vice-governador (e ainda tem o mandato que ganhou após a cassação do governador Cássio Cunha Lima) e dois de senador. Disputou 15 eleições. Venceu 11 e perdeu quatro.

Haverá registros de políticos que também chegaram aos 48 anos de mandatos populares ou algo próximo. Seria o caso de José Lacerda, com 11 mandatos de deputado estadual e um de vice-governador. Mas nada se iguala ao feito de Maranhão, que incluiu em suas conquistas os cargos mais elevados do Estado.

Destaque-se, pois, nestes tenebrosos tempos de ameaça à democracia em vários quadrantes do mundo, inclusive em nosso território, que nada é mais significativo para consagrar a biografia de Zé Maranhão, que era até austero no jeito de gerir a coisa pública, do que seu quase sacerdócio à democracia.

Slogan arriscado

Depois da morte de Antônio Mariz, em 1995, Maranhão adotou o slogan “Austeridade e desenvolvimento”. Não havia nada parecido no mundo. A palavra austeridade não cabia em slogans governamentais, ainda mais no clientelismo da Paraíba. Pois deu certo e virou “Austeridade é desenvolvimento” na gestão seguinte.

Faisão

Houve uma missa de sétimo dia pela morte de Mariz, na Catedral de Brasília. Depois, o já na posse do governo, Maranhão foi jantar no apartamento do então deputado federal Zé Aldemir. Sozinho. Os únicos convidados éramos José Nello Zerinho Rodrigues, prefeito de Cajazeiras, e eu, que era seu Chefe de Gabinete. Maranhão quase não conversou, pensava distante, montava o governo, que havia lhe caído nas mãos. Mas devorou o faisão servido por Dra. Paula.

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