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Sony Lacerda

O Ministério Público da Paraíba entrou na briga para que os alunos da rede pública municipal tenham os mesmos direitos às aulas presenciais dados aos alunos da rede privada de ensino, em João Pessoa. Apesar de entender que o tema é complexo, não há como aceitar essa disparidade instalada. Disparidade essa que já é latente e, em plena pandemia, está mais do que acentuada.

Desde o início, me questiono o porquê dessa liberação, que acontece em todo o Estado e em muitos país afora, diga-se de passagem, para o ensino privado, enquanto que o público é quem está sendo privado.

A resposta poderia ser: há uma notória, e sempre foi assim, diferença entre a quantidade de estudantes, de professores e profissionais de apoio. Mas, se o poder público não pode cuidar do ensino público, quem o fará? Seja em escola particular ou pública – estadual e municipal, as perdas são imensuráveis. Mas, muito mais sentidas por aqueles cujos pais não têm condições de arcar com mensalidades. Pais que, inclusive, dependem da merenda diária para que os filhos tenham um prato à mesa.

É desigual a olho nu. E essa desigualdade já está se transformando em atraso. Atraso no ensino e no desenvolvimento. Perdemos todos.

O Ministério Público recomendou à Prefeitura da Capital o retorno, mas claro, diante da adoção de medidas sanitárias que, sabemos nós, para serem cumpridas, é preciso amparar quem está em uma das pontas: famílias que não podem ficar em casa, em isolamento social, porque precisam trabalhar, e precisando trabalhar, se arriscam em meio à Covid-19 e, portanto, não tem como proteger os filhos e o novelo vai girando…

O Poder Público, que tenta ampará-los, lida com uma demanda que não era esperada, não ao mesmo tempo. Esse poder também precisa de ajuda, e eu não falo de dinheiro propriamente dito, falo aqui, neste contexto, de vacina. Sim, vacina para todos, imunidade de rebanho. Porque acredito que o ambiente escolar é saudável, do ponto de vista sanitário. Mas, e fora dele? Volto a dizer que, nesse caso, os alunos das redes pública e privada estão no mesmo patamar.

Mas, voltando ao ambiente escolar de convívio, de aprendizado direto e, me desculpem, uma aula remota não abraça, esse sim, tem sido prejudicial e todos precisam sentar e resolver. Do contrário, teremos uma legião de crianças não alfabetizadas a contento e futuros cidadãos à mercê de uma competitividade desigual. Parece redundante, não é mesmo?

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