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Hermes de Luna

A CPI da Pandemia foi instalada pelo Congresso Nacional para apurar a responsabilidade pelo alastramento do coronavírus pelo país. Busca também respostas para os gastos do Governo Federal, estados e municípios dos recursos garantidos aos seus gestores. O que se assistiu no depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, foi apenas uma tentativa de joga-lo contra as declarações do presidente da República. Nada mais se aproveitou dessa sabatina. 

O paraibano começou sua participação como testemunha por volta das 11h e já passava das 20h quando ele continuava a dar respostas para perguntas que foram feitas repetidamente durante todo o dia. Os senadores não fizeram a mínima questão de disfarçar que a missão deles era provocar um choque entre o ministro e o Presidente da República. 

Necessidade lockwodn, uso de ivermectina,  protocolos para uso da cloroquina e até a opinião de Marcelo Queiroga em relação ao comportamento dos antecessores foram e voltaram, de manhã, à tarde e à noite. As respostas sobre esses pontos, invariavelmente, paravam na frase “eu não faço juízo de valor”. 

O ministro foi inclusive ameaçado do uso coercitivo do Senado Federal em CPI para que ele respondesse as perguntas da forma como os senadores pretendiam ouvir, notadamente o relator Renan Calheiros (MDB-AL). Foi mais uma cena da sabatina que mostrou que Marcelo Queiroga não atendia ao script traçado pelo interrogatório. 

Sobrou pouca coisa para a CPI da Pandemia explorar. A ideia era o confronto entre o Ministério da Saúde e o Palácio do Planalto. 

Já no avançar da noite, sem conseguir arrancar muita coisa de Marcelo Queiroga, os senadores foram para uma estratégia diversionista. Tanto é assim que um dos senadores chegou a pedir a quebra do sigilo bancário e fiscal do depoente, para supostamente investigar uma transação empresarial de sua família. Uma inquisição fora do contexto. A CPI sai completamente do objeto de investigação.

A CPI da Pandemia, em sua primeira semana, mostrou para que veio. Já armou um palanque político, no confronto entre governistas e oposicionistas, e não vai descer dele. 

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