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Professor Trindade

No Congresso Nacional de Academias de Letras, edição 2025, promovido pela nossa APL, de 23 a 26 de outubro, na sede da entidade, tive a satisfação de criar laços de amizade, entre outros, com Lourival Serejo, prosador e poeta, presidente da Academia Maranhense de Letras e ocupante da cadeira nº 35.

Falei para ele sobre minha verdadeira idolatria por Gonçalves Dias, que considero o mais completo poeta do Brasil. Contei-lhe sobre duas conferências que fiz sobre o poeta, no ano de 2023: uma na Academia Paraibana de Letras, em 20 de outubro, a convite do hoje confrade da Casa Milton Marques Júnior; e outra para professores e alunos da Universidade Federal de Campina Grande, a convite do também hoje confrade da APL José Mário da Silva; e dos meus artigos em jornal sobre o consagrado maranhense.

Recebi, então, via Correios, um presente inesquecível: um verdadeiro tesouro; relíquias sobre meu poeta preferido e um livro de contos de Lourival: “Casablanca”, sobre o qual escreverei, oportunamente.

As relíquias recebidas por mim são livros raríssimos, há muito esgotados, e, em 2023, quando da bicentenário do nosso poeta-mor, foram reeditados pela Academia citada.

Eis os títulos, com rápidas explicações:

Gonçalves Dias – Antônio Henriques Leal

Relíquia das relíquias!: raríssimo.

No advento das comemorações pelo bicentenário de Gonçalves Dias (2023), a Academia Maranhense de Letras publicou esta que é, sem dúvida, “a biografia das biografias do poeta da Canção do Exílio”, no dizer do presidente daquela Casa, Lourival Serejo.

Originalmente, tal biografia faz parte do Tomo II, do Panteon maranhense, sendo esta a primeira vez que a biografia de Gonçalves Dias de Antônio Henriques Leal é publicada isoladamente. Convém acrescentar que a publicação foi patrocinada pela UEMA (Universidade Estadual do Maranhão).

Vejamos o que diz o autor no primeiro parágrafo do livro:

“Bendita a hora em que nasce um gênio, aqui, ali, além (…) a essa outorga Deus parte de seus atributos, e ordena-lhe que trabalhe e produza, e o mundo dá mais um passo para adiante no estádio do progresso e da perfectibilidade humana, impelido por essa nova força.”

Poder-se-ia alegar, a respeito do que disse Antônio Henriques Leal, que se deve levar em conta haver sido ele um dos mais próximos amigos do nosso maior poeta. Vejamos, porém, o que afirmou, muitos anos depois, sobre Gonçalves Dias Carlos Nejar, na sua História da Literatura Brasileira:

“(…) Mas surge um gênio, além e acima desse deserto poético – o de Gonçalves Dias, como não se explica o aparecimento de um raio, a não ser pela explosão da natureza inteira (…)”.

Antônio Henriques Leal se notabilizou como médico, escritor e jornalista. Foi amigo dedicado e leal a Gonçalves Dias, acompanhando o poeta em vida e preservando-o após a morte deste. Tanto que acompanhou todo o trabalho de busca dos destroços do “Ville de Boulogne”, em cujo naufrágio morreu o poeta maranhense; inclusive, pagando algumas buscas pelo baú em que Gonçalves Dias trazia as últimas e inéditas produções poéticas dele, incluindo-se os cantos finais do poema épico Os Timbiras.

Gonçalves Dias – Ensaio biobibliográfico – Josué Montello

Esse maravilhoso e fundamental ensaio de Josué Montello foi publicado em 1942, sob a tutela da Academia Brasileira de Letras e representa mais um resgate que fez a Academia Maranhense de Letras ao republicá-lo, em 2023, quando das comemorações do bicentenário do grande poeta maranhense.

Metódico, cuidadoso e didático como sempre foi Josué Montello nas biografias (veja-se O presidente Machado de Assis), o também maranhense dividiu a obra da seguinte maneira:

I – O Ambiente
II – O Homem
III – A Obra
IV – Anedotário
V – Depoimentos sobre o Poeta
VI – Opiniões sobre a Poesia
VII – Bibliografia
VIII – Indicações bibliográficas complementares

Na página 136 do volume, Josué Montello afirma o que sempre repetimos nos diversos trabalhos que escrevemos e conferências que fizemos: é o lirismo a parte mais notável do poeta, embora muitos insistam, infelizmente, em antologias escolares, em destacá-lo quase sempre como poeta indianista.

Leiamos a passagem:

“A análise da obra de Gonçalves Dias deve começar, dessa forma, pelo estudo das poesias. A nota dominante, na generalidade dos trabalhos desta natureza, é o lirismo. É de Sílvio Romero na História da Literatura brasileira, o reparo de que, mesmo nos seus trabalhos heroicos, como Os Timbiras, o lado mais importante é precisamente o aspecto lírico.”

As notas ao volume são de Sebastião Moreira Duarte, ocupante da cadeira nº 01 da Academia Maranhense de Letras.

Gonçalves Dias e Ana Amélia – Mario M. Meireles

Muito já se falou e sempre se falará sobre o amor de Gonçalves Dias por Ana Amélia, que ficou eternizado nos versos do poema Ainda uma vez – Adeus!, considerado por Manuel Bandeira como “o mais o mais comovido e mais comovente poema de amor da literatura brasileira”.

Sobre o livro em questão, assinala Lourival Serejo, na apresentação:

“A leitura da obra Gonçalves Dias e Ana Amélia proporciona ao leitor o conhecimento da a verdadeira história desse amor que se tornou impossível pelo estigma do preconceito e pela honradez do apaixonado poeta, que se negou a decepcionar uma família que sempre o acolheu com afeto. Preferiu ele seguir o rito do costume, pedindo a mão da amada a sua mãe, dona Lourença. A negação do pedido provocou um trauma em Gonçalves Dias, que o acompanhou o resto da sua breve vida.”

Gonçalves Dias, O Poeta Nacional – Clarindo Santiago

Obra originalmente publicada em 1926, reeditada em 2023 pela Academia Maranhense de Letras, nas comemorações já citadas. Trata-se de uma tese sobre assunto de livre escolha apresentada por Clarindo Santiago à Congregação do Liceu Maranhense, para concorrer à cadeira de Literatura Brasileira do curso ginasial daquele estabelecimento de ensino.

Destaque-se o seguinte trecho:

“Já demonstramos, no decorrer da nossa dissertação, que a sua personalidade se ergue como a de um artista largamente banhado, de momento a momento, pela luz do espírito nacional. Não será obra difícil, portanto, nem temerária, procurarmos justificar esse conceito em face do nacionalismo brasileiro.”

A apresentação do volume ficou a cargo de José Neres, ocupante da cadeira nº 36 da AML.

Observação final:

Todos os autores das obras citadas, à exceção de Antônio Henriques Leal, que é patrono da cadeira nº 10, foram membros da Academia Maranhense de Letras. O poeta Gonçalves Dias é o patrono da cadeira nº 9.

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