Início Colunas
Hermes de Luna

O MDB da Paraíba tem uma longa e íngreme caminhada pela frente. É consenso geral que a hora, passado o luto respeitoso pela morte do senador José Maranhão, é acertar o passo e afinar o discurso, para manter a unidade do partido. São desafios colocados para as lideranças que vão assumir os destinos da histórica legenda política, que um dia já esteve nos braços de Humberto Lucena, Ronaldo Cunha Lima e José Maranhão. Um desafio de cada vez. O primeiro deles talvez seja resolver a pendência do diretório municipal de João Pessoa, porque o seu presidente Alberto Gomes Batista renunciou ao cargo logo depois da morte de Maranhão.

Na sequência, tem que ser dada uma solução para o comando da direção estadual. A princípio ela fica com Roberto Paulino, ex-governador e vice-presidente do diretório, sucessor natural de Maranhão na direção do MDB paraibano. Só que em julho tem eleição para a escolha do novo diretório. A renovação da Executiva Estadual passa por acolher entre seus integrantes o senador Veneziano Vital do Rêgo, bom filho que a casa retornou depois de breve passagem pelo PSB.

Os entendimentos entre Paulino e Vital do Rêgo já começaram. Na sexta-feira, quando o senador Veneziano concedia entrevista ao Correio Debate da TV Correio, quem apareceu nos bastidores foi o deputado estadual Raniery Paulino. Encerrada a participação de Veneziano no programa, ainda nos estúdios, houve uma conversa preliminar com Raniery. Ambos sabem que, para esse diálogo prosperar, tem que trazer para a mesma mesa, jogando cartas abertas, os representantes da família Maranhão.

Para o presente, a filha do senador, Alice Maranhão, é herdeira natural do espólio político de Zé. A força da família nas redondezas de Araruna não pode ser subjugada. Tem por lá Benjamin Maranhão, ex-deputado federal; Olenka Maranhão, ex-deputada estadual; e a mãe dos dois, Wilma, que já foi prefeita da cidade e tem liderança e reconhecimento pela proximidade com a linha política do senador. Alice é um nome que começa ser lapidado para a presidência do MDB de João Pessoa.

Para o futuro, quando aposentar a toga de magistrada, a própria desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti seria um nome a atuar nessa política partidária, como a continuação histórica do MDB de Maranhão. Fátima, é bom lembrar, é filha do saudoso deputado Antônio Waldir Bezerra Cavalcanti, falecido em 2013. Ela tem nas veias o dom político, contido pelo profissionalismo de quem tem o Direito como missão.

Raniery Paulino foi o entrevistado desta quarta-feira de Cinzas (17.02) no Correio Debate da TV. Ele aposta na renovação dos quadros, com a chegada de nomes revelados nos campos setoriais da legenda, que já militam em diferentes camadas da sociedade. Como todo bom time, o MDB terá que mesclar esse alvoroço da juventude com a experiência de quem já vestiu a camisas de outras equipes, mas pode reforçar a legenda emedebista. Três nomes estão no alvo: Ricardo Marcelo, ex-presidente da Assembleia Legislativa; Jullys Roberto, suplente de deputado estadual; e André Gadelha, ex-deputado e ex-prefeito de Sousa.

É missão trabalhosa, mas que atiça os estrategistas. MDB tem uma história a ser continuada na Paraíba e precisa, acima de tudo, refazer seus quadros e voltar a ser grande, disputando cargos majoritários com potencial chance de vitória, independentemente dos adversários. É hora de renascer das cinzas.

Comentários

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será revelado.

publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.