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Professor Trindade

Na minha adolescência, passava todas as férias, no Maranhão, na casa de uma irmã. Desde pequeno, sou fascinado por televisão. Ainda na infância, em Patos, adorava ver as capas do “Carnê do Baú”, com a foto de Sílvio Santos. Minha tia Terezinha Cavalcante, na época freira (usava codinome Irmã Severina), comprava, religiosamente. Eu lamentava, porque em Patos, não “passava” o programa Sílvio Santos. Mesmo porque, ainda que “passasse” eu não poderia assistir, pois não tínhamos televisão em casa. Nossa companhia era um rádio ABC (“A Voz de Ouro”).

Mas na casa de minha tia Tecla havia uma biblioteca imensa, com a qual eu me realizava. Revistas e mais revistas eram assinadas por ela. Os jornais da Paraíba, ela assinava todos; e, de quebra, ainda o “Diário de Pernambuco”. Minha formação intelectual devo muito a essa tia. Na casa dela, eu devorava tudo: Machado de Assis, Tolstói, Dostoiévski… Em relação a revistas, minhas preferidas eram “Realidade” e, como não poderia deixar de ser, “Intervalo”, uma revistinha (refiro-me ao tamanho) maravilhosa, que trazia toda a programação de TV; inclusive as da TV Jornal do Comércio (canal 2) e a famosa TV Rádio Clube (canal 6) de Pernambuco: eram as que “pegavam” na cidade.

Mas e Bacabal, onde entra na história e o que tem a ver com Sílvio Santos?

Certa feita, ao chegar a Bacabal, onde iria passar as férias da temporada, deparei-me, de imediato, com várias faixas anunciando o programa “SS” (com aqueles dois esses entrelaçados: logomarca, na época, do programa de Sílvio Santos; aliás muito parecida com a do Banco do Brasil: não sei quem copiou quem).

Explodi de alegria!… Seria possível que iria ver Sílvio Santos? Mas como Sílvio Santos iria a Bacabal?

Eu sei que foi uma explosão de marketing e publicidade; nunca vi um marketing e uma publicidade tão intensos. Foi uma semana de “bombardeio”: faixas, cartazes… Até que, no fim de semana (não me lembro se foi sábado ou domingo) chegou o dia.

Entra o locutor, acompanhado de belas moças (seriam as “colegas de trabalho” de Sílvio?). Em seguida, chega coro bem entoado e abre com a música:

SS um programa quente

  Produzido para sua distração

  SS é termo de potência

  Em cultura e educação.

  Com SS o auditório vibra

  Cada sequência dele é genial

  SS é termo de potência

Em cultura pra Bacabal.

Entra, então, novamente, locutor e, para minha desilusão, anuncia a marmelada: SS significava: Sublime Show.

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