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Professor Trindade

            É recorrente o tema dos dois pontos. Ultimamente, recebi uma série de “e-mails” fazendo uma pergunta a que já me referi várias vezes, mas vale a pena repetir: “Depois de dois pontos se usa inicial maiúscula, ou minúscula?”

            Eis uma dúvida cruel para muita gente. A coisa é simples. Se a frase após os dois pontos iniciar período (não obrigatoriamente parágrafo!), usar-se-á inicial maiúscula; se for uma continuidade do período anterior, usar-se-á inicial minúscula.

Exemplos:

            No trânsito, tudo era caos: batidas, engarrafamentos, carros destruídos… Enfim, um inferno!

            Após a enchente, a situação era a seguinte: Os homens, mais corajosos, enfrentavam a correnteza, enquanto que as mulheres aguardavam o desfecho daquela situação.

            Outra questão levantada pelos leitores:

            PODE HAVER, NUMA FRASE, DOIS PONTOS SEGUIDOS DE DOIS PONTOS?

            Um exemplo de Rui Barbosa nos responde:

            “A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.” (Rui Barbosa, citado por Celso Cunha).

            Ficou claro que pode?

            QUANDO SE USAM OS DOIS PONTOS?

             Os dois pontos indicam, na escrita, uma suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída (Celso Cunha – adaptado). Empregam-se para anunciar:

            1. Uma citação: Desabafa o homem: “Que sina a minha!”.

            2. Uma enumeração explicativa: “De vez em quando, o olhar distraído se fixa num ponto da cidade baixa: as casas vazias, quase destruídas, a estação, o Porto do Capim…”

            3. Um esclarecimento, uma síntese ou uma consequência do que foi dito:

            Não és apenas uma mulher bonita: és, simplesmente, a mais bela do lugar.

            “A morte não extingue: transforma; não aniquila: renova; não divorcia: aproxima.” (Ruy Barbosa, citado por Celso Cunha).

            Observação importante:

            Depois do vocativo que encabeça cartas, requerimentos, ofícios, etc., é costumeiro colocar dois pontos, vírgula ou ponto, havendo alguns que preferem não usar pontuação alguma.

            Sendo o vocativo (de documentos) emitido, essencialmente, com entoação suspensiva e levando-se em conta que após ele haverá uma enumeração (na carta, no ofício, no requerimento), nossa posição é que se devem usar dois pontos, como no exemplo:

            “Prezado Sr.:

            Respondendo à consulta que nos foi feita em carta, datada do dia tal (…)”

            DO LEITOR

            A colega jornalista e amiga Cláudia Carvalho nos envia um flagrante que denuncia uma prática nociva que grassa na imprensa e no dia a dia dos brasileiros, em que estão substituindo os dois pontos por vírgula, não só dando impropriedade e prejudicando o sentido, como mudando, indevidamente, a função sintática da construção.

            A frase, enviada por ela via “WhatsApp”, é a seguinte:

            “Cuidado, vidro!”

            Tal advertência estava numa placa que pretendia chamar a atenção para não haver perigo de alguém se machucar caso não visse o vidro.

            Ora, a intenção da frase era, evidentemente, dizer a quem fosse entrando no local que tivesse cuidado com o vidro.

            Só que, da forma como foi escrita, na verdade a frase está cometendo o absurdo de fazer uma advertência ao vidro, para que ele tenha cuidado (com quem for entrando, quem sabe…), uma vez que a substituição dos dois pontos por vírgula transformou a palavra vidro em vocativo; ainda mais com a presença da exclamação, que também não poderia estar ali.

            A frase correta seria:

            Cuidado: vidro.

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