Uma das poucas coisas “chatas” da Língua Portuguesa é o emprego do infinitivo; mas a solução de muitos casos não é tão difícil como se imagina.
Em vão os gramáticos têm tentado formular regras, mas, em geral, elas se revelam inúteis, porque a flexão dessa forma nominal está mais ligada à estilística do que à gramática. Fatores como ênfase do enunciado e clareza de expressão tornam inútil a formulação de tais regras.
Por esse motivo, preferimos chamar de orientações o que vamos mostrar a seguir.
Em geral, tudo pode se resumir a duas situações:
a) o verbo da oração principal e o infinitivo têm o mesmo sujeito;
b) o verbo da oração principal e o infinitivo não têm o mesmo sujeito.
No caso da letra a, podemos dar o seguinte exemplo:
“Candidatos de oposição afirmaram ter sido barrados em atividades de campanha em algumas comunidades.”
O sujeito de afirmaram (verbo da oração principal) é “candidatos de oposição”; o do infinitivo também é “candidatos de oposição”.
Em casos como esse, a flexão do infinitivo é desnecessária.
Agora vamos ao exemplo caso da letra b:
“O técnico insistia para os jogadores obedecerem ao esquema tático”. Observe que não há possibilidade de se trocar “obedecerem” por “obedecer”.
A razão é muito clara: o sujeito do infinitivo é “os jogadores”; o do verbo da oração principal (“insistia”) é “o técnico”. A razão é muito simples: o sujeito do infinitivo é “os jogadores”; o do verbo da oração principal (“insistia”) é “o técnico”. Nesse caso, a flexão do infinitivo é obrigatória.
É claro que não tivemos a intenção de esgotar o assunto. Para uma orientação completa, sugerimos que o(a) leitor(a) consulte uma boa gramática.
Momento de poesia
O cão e o Gato
(Trissula)
Almoçava o meu frango. O cão e o gato
Comiam ao redor de mim o resto
Dos ossos que saíam do meu prato.
E, patrão honesto,
vigiei, sem preguiça,
A distribuição,
Com toda justiça
E sem distinção.
Mas, uma vez vazio o prato, eu,
vendo o gato sair, disse: – Que foi?
Vai-se embora? – Decerto! respondeu,
Pois o frango também já não se foi?…
O contrário, porém, com o cão se deu,
Que, em alegria acesa,
Me veio ao colo e minha mão lambeu.
– Bravos! Eu disse, mostras, à nobreza,
Que inda há no mundo alguma coisa sã!
E ele respondeu – Sim, pois com certeza,
Outro frango teremos amanhã.
(Tradução de Paulo Duarte)